Pesquisa reprova seções para eleitor com deficiência
Em 100 seções visitadas, a média foi de 5,5 em 15 pontos possíveis. Nota para cartórios é pior: 4,5
A maioria das seções da Capital destinada a eleitores com deficiência não está adaptada para recebê-los. A conclusão veio em pesquisa feita por alunos do Centro Universitário São Camilo nos dois turnos da disputa de 2006. Em 15 pontos possíveis, o levantamento apontou que as 100 seções eleitorais analisadas tiveram nota média 5,5. A situação dos 52 cartórios eleitorais, onde é preciso comparecer para tirar o título, é pior: a nota foi 4,5.
O trabalho será apresentado amanhã na Assembléia Legislativa, em seminário com distribuição de cartilhas de orientação. Um dos objetivos é alertar o eleitor com deficiência para que escolha ou mude seu local de votação para seção acessível antes da eleição de 2008: o prazo para transferências acaba em 7 de maio.
O coordenador da pesquisa foi o cientista político Humberto Dantas, do Movimento Voto Consciente, ONG que se associou ao Instituto Paradigma na divulgação do trabalho. Por acordo com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), não seriam divulgadas as melhores e piores seções. Mas ele revela que a melhor e a pior classificadas ficam em Sapopemba, na zona leste. No topo da lista, com 13 pontos em 15, está uma escola construída já prevendo equipamentos de acessibilidade (portas mais largas, rampas e banheiros específicos). "Ela se saiu melhor que institutos para deficientes que abrigam seções eleitorais. Um deles é adaptado para deficientes visuais, mas na entrada tem escada, o que dificulta o acesso de cadeirantes."
As notas foram divididas em três quesitos: acesso ao local de votação (se há ônibus especiais, metrô adaptado, vagas para deficientes), quão acessível é o prédio que abriga a seção especial e, por fim, como é o local da urna. O resultado mostrou que, apesar das notas baixas nas 3 avaliações, o problema maior para o eleitor deficiente é chegar ao local.
A acessibilidade externa teve 1,2 em 5, seguida pelas salas de votação, com 2,1, e pelos prédios, com 2,2. "A sala de votação ter avaliação pior que a do prédio é problemático. São os mesários que montam a estrutura da seção", diz Dantas. "Um exemplo é a lista de candidatos. Quem a coloca na parede, faz isso pensando que uma pessoa de 1,60m ou 1,70m vai olhar, não um cadeirante."
Aluna do quarto semestre de Terapia Ocupacional e participante da pesquisa, Ana Gutierrez visitou 17 seções. "Numa escola o banheiro para deficientes era um depósito com vassouras e rodos. As alças de apoio tinham virado varal para panos."
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