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cartel de trens

Petista diz que não mexeu em material sobre cartel enviado à Polícia Federal

Simão Pedro afirma que só repassou acusações sobre cartel que recebeu, sem alterar tradução de carta anexada a relatório de ex-diretor da Siemens

27 de novembro de 2013 | 23h 04
Fernando Gallo - O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - O deputado estadual licenciado Simão Pedro negou nesta quarta-feira, 27, ter alterado os documentos que enviou ao ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, com denúncias sobre o cartel de trens. Tucanos acusam o parlamentar, atual secretário de Serviços da gestão Fernando Haddad (PT), de ter "adulterado" os papéis para incriminar o partido.

Simão Pedro afirmou que as acusações são "uma calúnia" e que processará os tucanos que fizeram as declarações de adulteração. "Não alterei documento nenhum. Encaminhei para o ministro do jeito que recebi", disse. O petista sustentou que levou o caso ao ministro por se tratar da autoridade competente.

Indagado sobre sua relação com o ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer, autor das acusações que entregou a Cardozo, Simão Pedro afirmou: "Não posso revelar fontes, testemunhas. É prerrogativa do meu mandato e garantia que pessoas tenham a identidade preservada."

Como o sr. responde às acusações do PSDB de que o sr. adulterou os documentos?
Isso é uma calúnia, vou processar através de uma interpelação judicial quem está dizendo isso. Atinge a minha honra, minha credibilidade como político, como parlamentar. Não alterei documento nenhum. Tudo que recebi, encaminhei para o ministro. Do jeito que recebi, encaminhei.

Mas os textos são efetivamente diferentes.
São dois documentos com estruturas semelhantes. Provavelmente, a pessoa, como estava em inglês, resolveu fazer uma tradução. Quando encaminharam para a Siemens (em 2008), estavam falando com uma autoridade na Alemanha, por isso acho que tem uma linguagem (específica). Agora, quando quiseram encaminhar para alguma autoridade através das minhas mãos, ele provavelmente fez outro documento. Não é uma tradução exata, mas o essencial está ali. O esquema, a CPTM, o desvio de recursos, pagamento de comissão, propina. O essencial é o documento. Se alguém quiser pegar a carta em inglês e traduzir, vai ver que ela tem conteúdos muito fortes e que envolve o governo de São Paulo e o do Distrito Federal.

Quem o sr. vai interpelar?
Eu vi declarações do José Aníbal e do Edson Aparecido. Esses dois. Não sei se os outros falaram. Não sei se outros falaram, não tive tempo de ver. Mas meu advogado esta analisando.

O que exatamente o sr. entregou para o ministro?
Encaminhei um conjunto de documentos que incluía aquela carta ao ombudsman da Siemens (de 2008), relatórios descrevendo o esquema, coisas que ocorreram. Mas era um conjunto de documentos, que de memória eu não sei, cinco ou seis documentos diferentes. Fui num sábado que me encontrei com o ministro. Ele tem um apartamento-escritório em São Paulo. Por que falei com ele? Eu tinha já encaminhado ao Ministério Público de São Paulo em fevereiro de 2011 aquela representação denunciando o esquema, o uso de offshores, o esquema do Arthur Teixeira, contratos da CPTM em São Paulo. Eu tinha tentado abrir uma CPI na Assembleia Legislativa, mas aqui as CPIs são bloqueadas. Já tinha levado ao conhecimento do governador.Tem uma reportagem da TV Record de fevereiro de 2011 que revelava essa denúncia e o repórter pergunta ao governador Geraldo Alckmin se sabia dessa denuncia, e ele disse que não, mas que iria se informar. Isso quase três anos atrás. Desconheço quais as ações do governador para se informar ou para tomar alguma atitude.

Por que procurar o ministro?
Como ali os documentos falavam de novo nas offshores, em lavagem de dinheiro, envolvendo contrato de Brasília, crimes de natureza federal, entendi que a melhor autoridade para analisar os documentos, ver se tinha procedimento, era o ministro da Justiça.

Há um pedido de emprego na carta. Do que se trata?
De fato consta, mas eu entendi que tinha que encaminhar mesmo assim. Não encaminhei ao presidente do PT, a companheiros, encaminhei ao ministro da Justiça porque era a autoridade competente. Eu não entendi se essa ajuda era uma proteção. Agora, não tinha como analisar isso, achei que tinha que ser encaminhado para o ministro da Justiça porque tinha conteúdos gravíssimos.

Como o sr. conheceu o ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer?
Eu não posso revelar fontes, é uma prerrogativa do meu mandato, é uma garantia que as pessoas têm de, ao procurar os detentores de mandato, terem a identidade protegida. Não posso falar de nomes, de pessoas, isso seria descumprir um mandamento importante do mandato parlamentar. As pessoas me procuram na confiança de que suas identidades serão preservadas. Não quero falar das testemunhas, nomes, porque as pessoas procuram os parlamentares na condição de que terão suas identidades preservadas.

Gostaria de esclarecer algo mais?
Descobriram o carrapato e estão querendo matar a vaca. O essencial é o conteúdo. A Siemens já se autodenunciou, a Justiça da Suíça já bloqueou recursos, já processou funcionários, lobistas de São Paulo. O Ministério Público de São Paulo está investigando, há um caso concreto, a verdade tem que vir à tona. Essa coisa de dizer que é perseguição do PT ao PSDB, isso não tem cabimento nem fundamento. Eu nunca agi dessa forma. Quando eu denunciei que em 2006 poderia ocorrer uma tragédia na linha 4 do Metrô, e infelizmente isso ocorreu, ninguém perguntou se eu falsifiquei documento, se eu estava fazendo disputa partidária. Havia um problema grave que depois o Ministério Público comprovou e processou as pessoas responsáveis. Em 2011 quando denunciei a existência de problemas da Siemens com a MGE, isso se confirma quando a Siemens anos depois procura o Cade para se autodenunciar para dizer que praticava o cartel com outras empresas. E ninguém pergunta se a Siemens está agindo partidariamente ou não. Então, quando encaminhei documentos para análise do ministério da Justiça não tinha qualquer perspectiva de luta política. Pelo contrário. Tenho conhecimento, tenho informações de um esquema de desvio de recursos, de superfaturamento, que prejudica a população de São Paulo. O metrô anda abarrotado, é o que menos se expandiu nos últimos anos no mundo. É um dos metrôs mais caros do mundo. A população sente isso e sofre as conseqüências desse esquema na pele. Entendi que é meu papel encaminhar os documentos para que as autoridades competentes pudessem investigar. Meu papel é fiscalizar. Cumpri o meu dever, tenho a consciência tranqüila. Vou fazer de tudo para defender minha honra, a dignidade do meu mandato e o trabalho que fiz até hoje.




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