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Mensalao

Petistas tentam isolar Pizzolato para não comprometer tese de ‘julgamento injusto’

Presidente do PT estadual em São Paulo diz que fuga de ex-diretor não diz respeito ao partido

08 de fevereiro de 2014 | 15h 57
Daiene Cardoso e Ricardo Galhardo - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - A prisão de Henrique Pizzolato na Itália na semana passada com documentos falsos e a descoberta de um plano de fuga que remonta a 2007, cinco anos antes de o Supremo Tribunal Federal dar suas sentenças sobre o mensalão, deixaram parte dos petistas constrangida e já levam os integrantes do partido da presidente Dilma Rousseff a tentar "isolar" o caso do ex-presidente de Marketing do Banco do Brasil.

O relato da tentativa de Pizzolato de se passar por Celso, seu irmão morto num acidente de carro em 1978, inclusive na hora em que foi descoberto pela política italiana, contrasta com as imagens da prisão, em novembro do ano passado, de petistas com os braços levantados, como o ex-ministro José Dirceu e o ex-presidente do partido José Genoino.

O gesto que buscou dar uma conotação de "julgamento político" ao mensalão também foi repetido pelo ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha, dias antes de sua prisão, e virou provocação quando feito pelo vice-presidente da Câmara, deputado André Vargas (PT-PR), ao lado do presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, na cerimônia de abertura do ano legislativo.

A reação de constrangimento com Pizzolato veio do líder do PT na Câmara, Vicentinho (SP). "Quando foge parece que está assumindo a culpa. É um sentimento de vergonha que fica para a militância do PT", disse na quinta. "Estamos defendendo a tese da inocência, combatendo o que foi feito no julgamento, então ele não tinha que ter fugido." No dia seguinte, Vicentinho disse ter feito só um "desabafo".

A tentativa de "isolar" o caso Pizzolato começou a ser verbalizada logo depois. "A fuga do Pizzolato não diz respeito a nada do PT. O governo brasileiro está tomando as medidas para providenciar a extradição. É um problema que está a cargo da Justiça e da polícia internacional. Esta questão não envolve o PT nem tangencialmente nem lateralmente", disse o presidente do diretório estadual do PT em São Paulo, Emidio de Souza.

Pizzolato construiu sua história no movimento sindical, como funcionário de carreira do Banco do Brasil. Chegou a ser candidato ao governo do Paraná pelo partido em 1990 atacando justamente um dos crimes pelos quais foi condenado, a corrupção.

Assim como presidente do PT paulista, o líder do partido no Senado, Wellington Dias (PI), também tenta apartar o caso de Pizzolato dos outros condenados. "O caminho dos demais presos de se apresentar voluntariamente foi o mais adequado", disse Dias, que é ex-governador do Piauí. Para ele, a atitude do ex-diretor do Banco do Brasil foi "de foro íntimo". O senador ressaltou que o PT, apesar de respeitar as instituições, "se dá ao direito de discordar das decisões" do Judiciário brasileiro.

Autor do gesto de provocação a Barbosa na abertura dos trabalhos legislativos do ano – foi até flagrado enviando uma mensagem de celular em que fala em dar uma "cotovelada" no presidente do Supremo –, Vargas foi seco ao ser questionado sobre Pizzolato na sexta-feira: "Cada um responde pelos seus atos".

A direção do PT já divulgou várias notas oficiais que questionam o mensalão, sempre sugerindo se tratar de um julgamento de exceção. Sobre Pizzolato, ainda não houve manifestação oficial.

Campanha. Os nomes que vão disputar a eleição neste ano sabem que devem enfrentar críticas relativas ao caso. E já ensaiam qual o melhor discurso a adotar. Questionado sobre Pizzolato na sexta-feira, o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, pré-candidato ao governo paulista, preferiu destacar a ação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que comanda o processo de extradição do ex-diretor do Banco do Brasil. "O PT tem orgulho de ter um ministro da Justiça filiado ao partido que vai agir com o mesmo rigor com qualquer pessoa, independentemente de qualquer filiação partidária."





Tópicos: Mensalão, Pizzolato, PT

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