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Mensalao

Pizzolato se apresenta à Justiça italiana

À corte, ex-diretor do Banco do Brasil dirá que deseja ficar no país e vai alegar que não há perigo de fuga

07 de fevereiro de 2014 | 9h 25
Atualizado às 9h35 - Jamil Chade, enviado especial

Módena (Itália) - Ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato participa de audiência nesta sexta-feira, 7, na Corte de Apelação de Bolonha. Foragido desde novembro, o condenado por envolvimento no mensalão foi preso nessa quarta, 4, e pedirá à Justiça da Itália para ficar em casa até que seu processo de extradição seja concluído. Ele alegará que "não existe perigo de fuga".

Corte de Apelação de Bolonha, onde Pizzolato presta depoimento - Jamil Chade/Estadão
Jamil Chade/Estadão
Corte de Apelação de Bolonha, onde Pizzolato presta depoimento

Nesta manhã, o tribunal de Bolonha registrou a chegada de um furgão vindo da prisão de Módena. Nele, Pizzolato foi levado para sua primeira audiência diante dos juízes. As autoridades decidirão se o petista poderá aguardar o processo de extradição em casa. Nesse caso, Pizzolato teria de usar uma pulseira eletrônica, a fim de não fugir.

A sessão teve início às 8 horas (horário de Brasília). Segundo funcionários do tribunal, os juízes pediriam a identidade de Pizzolato, um procedimento regular da Justiça mas que tem relevância em razão da quantidade de passaportes falsos mantidos pelo brasileiro.

Não se sabe com qual nacionalidade Pizzolato se apresentará. Diante da polícia no momento da prisão, o foragido declarou ser brasileiro.

Nessa quinta, 6, pela primeira vez, a polícia italiana deixou claro que existem "possibilidades legais concretas" de que Pizzolato seja extraditado para o Brasil, mesmo diante do fato de ele ter nacionalidade italiana. Uma decisão final, porém, será política. O Brasil tem 40 dias para apresentar o pedido de extradição.

Na audiência desta sexta, os juízes de Bolonha darão o início formal ao caso. A decisão final sobre a devolução do condenado recai sobre o procurador de Bolonha. Se ele decidir recorrer da decisão, o caso então vai para a Corte de Cassação em Roma e, numa última instância, será o governo que tomará a decisão de extraditar ou não.

Os juízes devem questionar Pizzolato se ele quer retornar voluntariamente ao Brasil. Mas o condenado já indicou a seu advogado italiano, Lorenzo Bergami, que não vai aceitar o retorno e enfrentará o processo. "Ele me disse hoje que não tem a intenção de voltar ao Brasil", disse Bergami, defensor público indicado pelas autoridades italianas para defender o petista.

Se Pizzolato reafirmar sua intenção de ficar na Itália , a corte terá de tomar uma decisão se o brasileiro deve aguardar o processo na cadeia de Módena ou se terá um tratamento mais brando. Bergami acredita que não haveria uma decisão sobre a extradição antes de julho.

Bergami declarou nessa quinta que vai alegar não haver o perigo de fuga, apesar de o próprio histórico do brasileiro pesar contra. "De um lado, Pizzolato não voltaria ao Brasil e nem sairia da Itália, o que acarretaria em sua extradição ao Brasil", afirmou o advogado. Uma total liberdade o advogado admite que dificilmente Pizzolato conseguiria. "Mas uma opção poderia ser a prisão domiciliar, com um bracelete eletrônico", disse.





Tópicos: Mensalao, Pizzolato,

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