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Planalto quer dar caso da viagem de Dilma a Portugal por encerrado

Governo não fala sobre gastos e Comissão de Ética diz não ter poder para apurar episódio

29 de janeiro de 2014 | 20h 42
Rafael Moraes Moura - O Estado de S. Paulo

Quatro dias após a parada técnica da presidente Dilma Rousseff e sua comitiva em Lisboa, o Planalto e o Itamaraty mantêm reserva sobre parte dos gastos da comitiva na capital portuguesa. Integrantes do governo tentam dar o caso como encerrado. Acionada pela oposição, a Comissão de Ética da Presidência disse ontem que não analisará o episódio porque não é sua competência.

Dilma ficou na Suíça de quinta-feira a sábado, participando do Fórum Econômico Mundial. Sua agenda dizia que ela iria em seguida para Cuba, também para eventos oficiais. Mas ela e sua comitiva desembarcaram sem avisar em Lisboa no sábado, se hospedaram em dois hotéis - ao todo, foram ocupados 45 quartos no Ritz e no Tívoli -, jantaram num restaurante badalado da cidade e partiram na manhã seguinte para o compromisso em Cuba.

O governo afirmou oficialmente que a parada técnica em Lisboa foi decidida de última hora. A ideia inicial era fazer essa parada técnica em Boston, nos EUA - o avião presidencial não tem autonomia para viajar da Suíça a Cuba -, mas o mau tempo atrapalhou os planos. O governo português e o restaurante onde Dilma jantou já sabiam da visita, porém, dois antes.

Diante da polêmica, Dilma comentou o episódio na terça-feira, 28, ainda em Cuba. Disse que pagou a conta do restaurante com o próprio dinheiro, mas não comentou o fato de a parada em Lisboa não constar da sua agenda nem sobre os gastos de hospedagem.

O Estado questionou nessa quarta, 29, o Planalto sobre as dúvidas que envolvem o caso, mas não obteve respostas (veja abaixo).

O silêncio contrasta com a postura adotada no ano passado quando o governo informou prontamente o custo da visita de Dilma a Roma por ocasião da missa de entronização do papa Francisco, em outra viagem que entrou na mira da oposição por causa dos custos envolvidos.

"Por questões de segurança, o governo não tece comentários sobre detalhamentos das equipes, cabendo apenas ressaltar que elas são compostas a partir de critérios técnicos e adequadas às necessidades", limitou-se a comunicar ontem o Itamaraty, repetindo uma resposta que já fora divulgada antes.

Ao arquivar o pedido do PSDB para que a viagem fosse investigada, o presidente da Comissão de Ética, Américo Lacombe, afirmou que o pedido deveria ter sido enviado ao Senado ou ao Supremo Tribunal Federal, que têm competência para investigar um presidente. "Quem quer se queixar contra a presidente da República vá se queixar no Senado, que é quem julga os crimes de responsabilidade dela, ou ao STF. Isso aí não é problema dessa comissão", disse Lacombe, que questionou o fato de a viagem ter criado polêmica. "Qual é o problema em ir para Lisboa? Desde que ela pague a conta dela, não tem problema nenhum."

 

PERGUNTAS SEM RESPOSTAS

1. Por que a parada técnica em Lisboa na viagem entre Suíça e Cuba, entre sábado à tarde e domingo de manhã, não foi divulgada previamente na agenda oficial da presidente Dilma?

2. Se a decisão de parar em Lisboa foi de última hora, como afirmaram os ministros Luiz Alberto Figueiredo (Relações Exteriores) e Helena Chagas (Comunicação Social), por que o governo português e o restaurante onde Dilma jantou já estavam avisados dois dias antes de a presidente chegar?

3. Dilma afirmou em entrevista que pagou com o próprio dinheiro sua conta no badalado restaurante Eleven, mas não esclareceu quem bancou a hospedagem de sua equipe. Os 45 quartos ocupados pela comitiva nos hotéis Ritz e Tívoli foram pagos pelo governo? Quanto custou?





Tópicos: Dilma, Portugal

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