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PMDB deveria ocupar 'mais cargos no governo', diz presidente do partido

Valdir Raupp, que ocupa interinamente o cargo de Michel Temer, também voltou a defender um maior protagonismo da sigla nas eleições de 2014, com uma eventual candidatura própria

09 de maio de 2011 | 15h 40
André Mascarenhas, do Estadão.com.br

O sr tem citado pontualmente 2014. Há alguma avaliação de que a presidente Dilma possa fazer um governo não tão benéfico ao projeto do PMDB como foi o governo Lula?

Não existe nenhuma avaliação. Mas nós entendemos que o PMDB cometeu o grande pecado (de não ter candidaturas próprias). Inclusive, até o (ex)presidente Lula me falou um dia, numa viagem internacional, que o grande erro do PMDB foi não ter preparado nomes, lideranças, com condições de disputar a Presidência da República. E eu e todos nós reconhecemos que o PMDB cometeu esse erro. Eu tenho falado sempre nos nossos encontros e reuniões que nós temos que aproveitar este momento, que o PMDB volta ao centro do poder, com o vice-presidente, Michel Temer, para preparar esses nomes. Nós devemos ter nomes em condições de lançar, se não em 2014, em 2018.

E como o sr acha que deve ser esse processo de preparação? Ele passa por 2012?

Minha missão como presidente é preparar o partido para lançar candidatura própria, se possível, em todas as cidades brasileiras. De preferência nas grandes cidades. Para isso, já temos em São Paulo um nome (do deputado federal Gabriel Chalita) que dá pra ser filiado com condições de ser candidato a prefeito. Estamos trabalhando também em Belo Horizonte, já temos no Rio de Janeiro a reeleição do Eduardo Paes, e vamos procurar filiar lideranças em condições de disputar eleições em todas as capitais e principais cidades brasileiras onde não tivermos nomes fortes. É claro que, onde tivermos uma aliança formalizada e sólida com outros partidos, ela pode ser reeditada.

As parcerias com o PT são prioritárias ou, no plano regional, elas independem da aliança nacional?

Independem. Na eleição passada para prefeito foi tirada uma resolução de que, preferencialmente, o partido tem que se coligar com partidos da base. Isso aconteceu, é claro, na maioria (das cidades). Mas independe. Até porque, o PMDB é o partido mais antigo em atividade no Brasil, e é um partido que se relaciona com todos os partidos. O PMDB não faz distinção de nenhuma outra sigla partidária, porque a maioria delas nasceu do PMDB. Então o PMDB pode ter aliança com todos os partidos.

Com a vitória eleitoral de 2010 e alguns ajustes regionais, como o resultante da morte do ex-governador Orestes Quércia, em São Paulo, o PMDB passa por um processo de discussões internas para seu fortalecimento. Mas, embora tenha o que comemorar com os resultados de 2010 e a chegada de novos quadros, o partido continua desgastado por anos de falta de um projeto claro e sempre sob a sombra do fisiologismo e das suspeitas envolvendo alguns de seus expoentes. Diante deste quadro, quais são as bandeiras do PMDB hoje e como lidar com o desafio da mudar a imagem do partido?

O PMDB está procurando se reciclar, renovar. No plano nacional, o PMDB continua muito forte. É o maior partido do Brasil no número de vereadores, de prefeitos e senadores. Não é mais no número de governadores, mas está praticamente empatado com outro partidos. E, na Câmara dos Deputados, tem a segunda bancada, mas há votações em que dá mais voto aos projetos de interesse do governo do que o próprio partido da presidente, que é o PT. Em São Paulo, no entanto, a situação é um pouco diferente. São Paulo tem 70 cadeiras na Câmara dos Deputados e o PMDB, nesta última eleição, só fez uma. Temos que reconhecer o papel importante que o Quércia teve na história do PMDB, mas nos últimos tempos o partido ficou parado. Tinha um acordo para o Temer cuidar do diretório nacional e o Quércia cuidar do diretório de São Paulo. E aí foi onde o PMDB deu uma estagnada, uma caída. Agora, com o Baleia Rossi na presidência do PMDB e o apoio do Michel, a história está sendo mudada. Tenho certeza de que, na próxima eleição, o PMDB vai fazer muito mais prefeitos e vereadores, tanto na capital como no interior do Estado. E o foco em 2014 também é se fortalecer no Estado.

Mas qual é a estratégia do partido para trabalhar a imagem de que o partido é adepto do fisiologismo e está sempre insatisfeito com a distribuição de cargos no governo?

O PMDB leva a pecha de partido fisiológico mas, no entanto, tem muito menos cargos do que outros partidos (no governo). No primeiro governo Lula, nos dois primeiros anos, o PMDB não ocupou cargo nenhum. Não ocupou nenhum ministério, mas, em dois anos, não deixou de dar apoio ao governo, de dar sustentabilidade e governabilidade ao governo do presidente Lula. Nos momentos mais difíceis do primeiro mandato, o PMDB, mesmo sem cargo, estava apoiando a governabilidade. Dado a importância do PMDB, ao tamanho do PMDB. Um partido do porte do PMDB, da história do PMDB, não pode se dar ao luxo de fazer oposição por um problema qualquer com o governo. Essa responsabilidade nós sempre tivemos. E hoje, realmente, a mídia fala muito que o PMDB é um partido fisiológico, que fica só buscando cargo. Não. Todo partido que ajuda a ganhar o governo, em qualquer democracia do mundo, deve ajudar a governar também. Eu acho até que o PMDB ocupa menos cargos do que o tamanho que ele tem. Deveria até estar ocupando mais cargos no governo do que está ocupando hoje. Mas acho que isso está próximo de acabar.

Além da governabilidade, que outras bandeiras o sr citaria como bandeiras do partido?




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