Polícia começa a listar suspeitos de crime no Pará

Secretário de Segurança Pública acompanhou as investigações em Nova Ipixuna e afirmou que mortes foram premeditadas

Yáskara Cavalcante, Especial para o Estado

25 Maio 2011 | 23h00

BELÉM - A força policial que investiga a execução do casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva começou a ouvir parentes e amigos das vítimas nesta quarta-feira, 25. Não há confirmação oficial, mas as autoridades já começaram a montar uma lista de potenciais suspeitos de ter encomendado o crime. Os corpos de José Cláudio e Maria começaram a ser velados nesta quarta, em Marabá, e serão enterrados nesta quinta-feira, 26.

 

O secretário de Segurança Pública do Pará, Luiz Fernandes Rocha, acompanhou nesta quarta os trabalhos de investigação em Nova Ipixuna, município no sudeste do Estado. Ele chegou ao local do crime na noite de terça-feira, acompanhado do delegado-geral-adjunto do Pará, Rilmar Firmino. Rocha também esteve na Delegacia de Conflitos Agrários de Marabá, cidade mais próxima à área do Projeto de Assentamento Agroextrativista Praialta-Piranheira, onde o casal foi morto em uma emboscada.

 

"Assim que cheguei à Marabá, fui até a delegacia. Também estive na casa da família das vítimas, que está muito chocada, eu diria até dispersa em colaborar com as investigações. Mas, vimos que os familiares têm absoluta certeza de que vamos chegar aos culpados", disse o secretário.

 

Rocha informou que os peritos do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, de Marabá, já têm elementos para provar que o crime foi premeditado. "Tudo indica que foi um crime planejado, pois o assassino ficou esperando o casal passar", afirmou. Segundo o secretário, a polícia não sabe se alguém testemunhou o duplo homicídio.

 

Além da Polícia Civil, homens da Polícia Federal atuam no caso, conforme determinação direta da presidente Dilma Rousseff ao Ministério da Justiça. O superintendente da PF no Pará, Manoel Fernando Abbadi, enviou uma equipe para Marabá para acompanhar as investigações.

 

Para o secretário de Segurança do Pará, o trabalho em conjunto entre as Polícias Civil, Militar e Federal vai dar celeridade às investigações - as Delegacias de Conflitos Agrários de Marabá e de Belém também atuam no caso. "A população do Pará e do Brasil pode ficar tranquila, porque esse crime não ficará impune", prometeu Rocha.

 

Mutilação. José Cláudio e Maria do Espírito Santo lutavam contra a devastação florestal e a exploração ilegal de madeira no entorno da comunidade de Maçaranduba desde 2008. O extrativista chegou a gravar um vídeo naquele ano, dizendo que corria o risco de ter o mesmo destino de outros ativistas, como o seringueiro Chico Mendes e a missionária Dorothy Stang, dois casos de violência no campo que tiveram repercussão mundial.

 

A Polícia Civil confirmou nesta quarta que parte da orelha direita de José Cláudio havia sido mutilada - uma forma de os executores do crime confirmarem a execução das vítimas a quem encomendou o crime.

 

Os peritos devem divulgar nesta sexta um laudo indicando o número de tiros que atingiram o casal de extrativistas, outro dado que ajuda a polícia a comprovar a premeditação do crime.

 

Parentes e amigos que acompanharam o velório do casal lembraram que José Cláudio e Maria faziam parte de uma relação de 58 pessoas ameaçadas de morte no Estado. A lista foi elaborada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). O sul do Pará é uma das regiões que mais registram casos de violência no campo.

 

Mais conteúdo sobre:
Pará crime ambientalistas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.