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Polícia do DF confirma prisão de supostos espiões de Arruda

São dois policiais de Goiás acusados de fazer escuta ilegal em gabinetes de deputados da oposição

08 de fevereiro de 2010 | 21h 13
Rodrigo Rangel, de O Estado de S.Paulo

Depois de passar cinco dias evitando o assunto, a Polícia Civil de Brasília confirmou nesta segunda-feira, 8, a detenção de dois policiais de Goiás suspeitos de fazer escuta ilegal em gabinetes de deputados de oposição ao governador José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM). Os policiais Luiz Henrique Ferreira e José Henrique Daris Cordeiro, lotados na Delegacia de Narcóticos da Polícia Civil goiana, estariam a serviço de auxiliares de Arruda. Eles foram detidos na quarta-feira passada, conforme o Estado informou no domingo, 7.

A tentativa de abafar o caso, para evitar mais desgaste à imagem do governador, investigado por corrupção e sob ameaça de ser afastado do cargo, ficou explicitada na segunda-feira. O delegado responsável pela prisão, Guilherme Nogueira, que no sábado, 6, negara a prisão dos agentes goianos, admitiu o episódio. Ele disse que, "por ordens superiores", não poderia dar mais informações.

Chefe da Delegacia de Combate ao Crime Organizado, Nogueira só confirmou a suspeita de grampo após se certificar de que o novo chefe da Polícia Civil do DF, Pedro Cardoso, havia confirmado a abertura de inquérito para investigar o episódio, até então em segredo. Procurado pelo Estado, primeiro Nogueira disse que não falaria sobre o assunto. Ao ser informado que seu chefe acabara de admitir publicamente a detenção dos policiais de Goiás, ele pediu um minuto, fez uma ligação ao telefone celular e, só depois, voltou com a resposta. "Sim, há um inquérito aberto aqui, mas por ordens superiores só o chefe de polícia pode falar do assunto", disse.

Pouco antes, indagado por jornalistas durante sua posse no cargo de diretor-geral da Polícia Civil do DF, Pedro Cardoso admitira a abertura de inquérito. "Nós vamos investigar, e vai ser com isenção", disse. Cardoso assumiu o lugar do delegado Cleber Monteiro, que deixou o cargo na sexta-feira em meio a rumores de que teria se negado a abafar o flagrante.

Na segunda-feira, Monteiro se mostrou desconfortável com o tema. "Não vou falar sobre isso. Esse é um assunto para o novo diretor", afirmou. Cardoso, por sua vez, procurou minimizar a importância do caso: "Houve a prisão, os policiais estavam com equipamentos que foram apreendidos, mas nós vamos apurar, até porque uma investigação não pode se sustentar em ilações". O novo delegado-chefe negou peremptoriamente o envolvimento de assessores do governador Arruda com o episódio.

A cúpula da segurança pública do DF ocultou o caso até da Polícia Civil de Goiás, à qual estão vinculados os agentes detidos. O diretor-geral da polícia goiana, Aredes Pires, afirmou que na sexta-feira, 5, ao saber informalmente da prisão dos dois agentes, pediu a auxiliares que entrassem em contato com a polícia de Brasília para buscar informações. "Nós entramos em contato, mas a resposta foi que não havia sido aberto nenhum procedimento que envolvesse policiais daqui de Goiás", afirmou Aredes. Segundo o delegado, somente ontem a direção da Polícia Civil de Brasília telefonou para informar que um inquérito havia sido aberto.




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