Prefeito de Osasco desiste de disputar governo de SP pelo PT
'O presidente Lula tem falado no nome do Mercadante e não sou eu quem criará problemas', diz Emídio em carta
O prefeito de Osasco, Emídio de Souza (PT), confirmará oficialmente na noite desta sexta-feira, 19, que desistiu de concorrer ao governo de São Paulo. Emídio fará o anúncio na sede do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo, em evento para o qual foram convidados prefeitos, deputados estaduais e federais. O senador Aloizio Mercadante, provável candidato do PT ao cargo de governador, ainda se recupera de uma cirurgia e não deve comparecer, mas deve ser aclamado pelos membros do partido nesta noite.
"Estou comunicando o PT oficialmente nesta noite sobre esta decisão. O quadro não permitiu que eu continuasse. Eu era o único dos pré-candidatos que teria que se desincompatibilizar e a indefinição me forçou a essa decisão", afirmou o prefeito. "O presidente Lula tem falado no nome do Mercadante e não sou eu quem criará problemas com essa situação."
A decisão de Emídio ocorre logo depois que o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), o preferido de Lula para a disputa estadual em São Paulo, disse que o PT em São Paulo era um "desastre", declaração que irritou os petistas e abriu caminho para articulações em torno do nome de Mercadante. Lula já havia reclamado que o PT cometeu o erro de não repetir candidatos ao governo ao longo dos últimos anos, o que não é o caso de Mercadante, que concorreu ao cargo em 2006. Em 2002, o candidato foi o deputado federal José Genoino, em 1998, a ex-prefeita Marta Suplicy, e em 1994, o deputado cassado José Dirceu.
Emídio, que está em seu segundo mandato como prefeito, afirmou que vai trabalhar na campanha eleitoral para eleger Mercadante e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. "Estou à disposição do PT. Acumulei muito apoio dentro do partido e vou ajudar na campanha."
Dificuldades
No documento, o prefeito de Osasco justifica sua desistência pelas dificuldades encontradas para montar um palanque estadual. "Por força da lei eleitoral, meu prazo para a desincompatibilização do cargo termina no dia 2 de abril. Por outro lado, as discussões nacionais, articuladas à composição de alianças e montagem do palanque estadual, exigem bem mais tempo do que seria necessário para eu cumprir esta data fatal", afirma o texto.
"Felizmente, pertenço a um partido que tem quadros de muita qualidade política, técnica e moral. Companheiros que serão capazes de defender com competência nossos projetos para melhorar São Paulo. Atuarei na campanha da ministra Dilma e do nosso candidato a governador com determinação e entusiasmo. Estarei nos palanques pedindo votos para quem defende a continuidade e o avanço do projeto iniciado pelo presidente Lula", diz Emídio.
Leia a íntegra da carta
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