Professores em greve e governo tentam novo acordo nesta terça

Segundo a presidente do sindicato, 'a categoria nunca rebateria uma proposta que fosse boa'; docentes estão parados desde dia 17 de maio

Gheisa Lessa - Central de Notícias,

24 Julho 2012 | 12h15

São Paulo - Uma nova reunião com o objetivo de definir o rumo da greve dos docentes de instituições federais deve acontecer às 17h desta terça-feira, 24. Na tarde da última segunda-feira, 23, o governo federal, por meio de representantes do Ministério do Planejamento, apresentou uma proposta que foi rejeitada por unanimidade pela categoria. Segundo o Sindicato Nacional dos Docentes de Instituições de Ensino Superior (Andes), a rejeição de uma proposta em 100% das assembleias aconteceu pela primeira vez na história da categoria.

Durante reunião que durou quatro horas, o governo apresentou R$ 3,9 bilhões em reajustes salariais para os próximos três anos. Segundo a presidente do Andes, Marinalva Oliveira, a proposta não atende às reivindicações da categoria e desestrutura ainda mais a carreira dos docentes. Diante da rejeição, o governo marcou a reunião desta terça com o objetivo de reavaliar a posição adotada pela categoria na última segunda, assim como possíveis alterações na proposta.

Desde o dia 17 de maio os professores das universidades federais de todo o Brasil estão em greve, reivindicando de forma prioritária a reestruturação da carreira, ou seja, um plano de carreira unificado, com 13 níveis salariais, com diferença de até 5 %.

"A proposta coloca uma série de elementos que dificultam a progressão da carreira dos professores. É uma proposta muito ruim", afirma a presidente do sindicato. Segundo ela, a categoria estranha que o governo se mostrou surpreso com a rejeição unânime. "Mostramos documentos que provam que esta proposta atrasa a carreira dos nossos docentes, mas mesmo assim o governo federal mostrou-se surpreso", afirma Marinalva e ainda destaca "a categoria nunca rebateria uma proposta que fosse boa".

O Ministério do Planejamento afirma que a negativa de um investimento em reajustes salariais no valor total de R$3,9 bilhões é uma atitude complicada por parte dos sindicatos. A pasta não afirma a chance de uma contraproposta ser apresentada nesta terça, mas adianta que provavelmente o valor não deve mudar. "Se houver alguma mudança, será pontual", diz.

O Andes argumenta que a proposta de reajuste salarial apresentada deixa 75% da categoria com perda salarial. "Pode ser oferecido um valor alto, mas quando redistribuído há desvantagens para os professores e isso barra a evolução da carreira", argumenta a presidente do sindicato.

Greve dos Servidores. A Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), afirma que os docentes federais são a única categoria que tem uma proposta oficial apresentada em mesa. A greve dos servidores teve início em 18 de junho, segundo a Condsef. Após um mês e seis dias do comando de greve por tempo indeterminado, o País tem 300 mil servidores públicos de braços cruzados em reivindicações salariais.

Segundo o secretário-geral da Condsef, Josemilton Costa, na última semana aconteceu uma reunião com o governo federal em que nada foi concluído. Um novo encontro está marcado para a próxima terça-feira, 31. De acordo com a confederação, apenas as categorias de base da Condsef representam 80% de todos os servidores do executivo federal que aderiram à greve nacional.

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