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'Programa ajuda PT a marcar posição em relação ao PSDB'

Para analista, proposta do partido de maior intervenção econômica capitaliza políticas que tiraram país da crise

08 de fevereiro de 2010 | 21h 31
André Mascarenhas, do estadao.com.br

Em meio a repercussão do artigo publicado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso no Estado de domingo, 7, e da polarização entre petistas e tucanos sobre os legados que deixarão os governos FHC e Lula, pelo menos um ponto deixa claro que os dois partidos costumam traçar caminhos diferentes quando o assunto é o papel do Estado na economia. É o que se conclui do programa de governo do PT, que propõe um novo "projeto nacional de desenvolvimento" através de uma maior presença do Estado na economia.

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"O projeto é coerente ao que o PT tem feito no atual governo. E é coerente com a visão que o PT tem sobre o papel do Estado. E também é uma forma do PT marcar uma posição diferente da posição do PSDB", disse em entrevista ao estadao.com.br o cientista político João Paulo Peixoto, da Universidade Nacional de Brasília.

Peixoto acredita ser cedo para avaliar se o partido optará por posições mais à esquerda em um eventual governo da candidata do PT à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Além de ver coerência entre o que está proposto no texto intitulado "A grande transformação" e as diretrizes históricas do partido, Peixoto destaca ainda a oportunidade abraçada por setores do PT que, com a crise financeira mundial, encontraram argumentos fortes para justificar políticas como o fortalecimento das empresas estatais e de concessão de crédito pelos bancos públicos - parte da receita que ajudou o Brasil a sair mais rápido da crise.

"Talvez aproveitando esse momento particular que vive o capitalismo e a economia de mercado, como resultado da crise financeira global, parte do PT esteja aproveitando para afirmar sua posição estatista", diz Peixoto.

Ele relativiza, entretanto, o esforço de parte do PT para se esquivar das acusações de que o programa represente um retrocesso no processo de privatizações iniciado na década de 1990. "Essa coisa de dizer que é estatista mas não é estatizante, é algo que a gente vai ter que esperar pra ver. Depende da ênfase que se dá a intervenção do Estado na economia. Você pode ter um Estado forte, mas não significa dizer um estado interventor", diz o cientista político, que é especialista em políticas e finanças públicas.

Governo por conferências




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