Promotor vai recorrer da absolvição no caso Dorothy Stang
Fazendeiro acusado de mandar matar missionária é absolvido em novo julgamento; em seguida, Bida deixou prisão
Após a absolvição do fazendeiro acusado de matar a missionária Dorothy Stang na noite da última terça-feira, o promotor Edson Souza avisou que entrará com recurso contra a decisão e pedirá novo julgamento. Por cinco votos a dois, o Tribunal do Júri de Belém considerou que não havia provas para condenar Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida. A decisão revoltou a família da vítima e entidades de direitos humanos presentes no salão do júri. Veja Também: Opine sobre a decisão Júri absolve fazendeiro acusado de mandar matar Dorothy Entenda o caso da missionária Dorothy Stang
Acusado de assassinar Dorothy Stang se contradiz ao depor O promotor informou ainda que vai fundamentar o recurso alegando que o resultado do julgamento foi contrário às provas dos autos, que apontavam Bida como mandante do crime. Edson Souza disse também que a apelação será apreciada por uma câmara de desembargadores do Tribunal de Justiça do Pará, e a decisão sobre se haverá um novo julgamento só deverá ser anunciada no fim do ano. Este foi o segundo julgamento de Vitalmiro Moura, condenado em maio do ano passado a 30 anos de reclusão, em regime inicialmente fechado. O fazendeiro, que estava preso desde 2005, foi libertado já na noite da última terça, após o resultado do julgamento. Rayfran Sales, que confessou ter sido o executor da missionária, também foi julgado na última terça e teve a pena de 28 anos de prisão confirmada. O júri que absolveu Bida era formado por seis homens e uma mulher. Eles acataram a tese da defesa de negativa de autoria de mando do crime. O que pesou na absolvição foi o depoimento do pistoleiro favorável ao fazendeiro, assumindo sozinho a autoria do crime. A defesa de Moura festejou a absolvição juntamente com os familiares do fazendeiro.
A missionária Dorothy Stang foi morta com seis tiros em Anapu, a 300 quilômetros da capital paraense, em fevereiro de 2005. Ela trabalhava com a Pastoral da Terra e comandava o programa em uma área autorizada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). (Com Agência Brasil)
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