Protógenes citou presidente, diz araponga
Agente da Abin diz que delegado o convenceu a atuar no caso alegando preocupação de Lula
Páginas do inquérito 24447/08 contam segredos da controversa aliança dos arapongas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e a Polícia Federal na Operação Satiagraha. Um dessas confidências cita suposto interesse do presidente Lula nas investigações que apontam para o banqueiro Daniel Dantas em esquema de lavagem de capitais, evasão de divisas e fraudes financeiras. Em depoimento à PF, Lúcio Fábio Godoy de Sá, oficial da Abin, afirmou que o delegado Protógenes Queiroz, mentor da Satiagraha, contou-lhe que o presidente "cobrava o andamento desta investigação".
"Queiroz chamou o depoente (Lúcio Sá)e lhe explicou que tratava-se de investigação que envolvia espionagem internacional e que era a razão da Abin estar participando", registra o inquérito da PF que investiga vazamento da Satiagraha. "Que a ação abrangia a empresa Kroll e a investigação era de interesse do presidente da República que cobrava o andamento desta investigação porque o próprio filho do presidente teria sido cooptado por essa organização criminosa que também havia se infiltrado nos altos escalões da administração pública."
Os relatos colhidos pelo inquérito 24447/08 esmiúçam o dia-a-dia dos oficiais da Abin, revelam detalhes do poder e autonomia que eles desfrutavam em repartições da PF e expõem as tarefas que executavam - ao abrigo e sob ordens do delegado Protógenes, que está na mira da própria PF.
É ele o principal alvo do inquérito. Na última quarta-feira, a PF vasculhou 5 endereços de Protógenes: dois imóveis no Rio - Jardim Botânico e Meyer - um na Praia das Astúrias, Guarujá (SP), um apartamento em Brasília, e o apartamento 2508 do Shelton Hotel, no centro de São Paulo, onde foram recolhidos 7 celulares do delegado.
A investigação mostra, na avaliação da PF, situações muito graves porque traz à tona a ação clandestina do efetivo da Abin - os agentes tiveram acesso a dados confidenciais, inclusive conteúdos de grampos, e teriam violado até o Sistema Guardião, a máquina de interceptações dos federais.
Vinte e oito depoimentos escancaram os bastidores da polêmica missão federal e reforçam suspeitas sobre a parceria - 16 agentes e oficiais da Abin deram sua versão e eles todos atribuem a Protógenes o comando dos trabalhos.
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