PSDB exige de Sarney compromisso contra 3º mandato de Lula
'Temos dúvidas sobre intenções democráticas de setores do governo', disse presidente nacional do PSDB
A tendência do PSDB é votar em José Sarney (PMDB-AP) para presidente do Senado, mas, para obter a promessa de voto fechado dos 13 senadores tucanos, o candidato terá de assumir, segundo informação de líderes tucanos, um compromisso público com o partido: o de barrar qualquer iniciativa de governistas em favor do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A bancada de senadores do PSDB reúne-se às 11 horas de quarta-feira, 28, para fechar a lista de exigências políticas e de espaço de poder no Legislativo, que será encaminhada ainda amanhã a Sarney e ao candidato petista à presidência da Casa, senador Tião Viana (AC).
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"Como temos sérias dúvidas sobre as intenções democráticas de vários setores do governo, queremos saber dos candidatos se tentativas golpistas teriam êxito", antecipou o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). Ele e o líder no Senado, Arthur Virgílio (AM), se encarregarão de procurar Sarney e Viana para apresentar as postulações do partido. "Queremos um presidente com sinceros compromissos democratas e de respeito às minorias e ao direito de voz da oposição, que não pode ser mutilada no Congresso", afirma Guerra.
Não só. Os tucanos querem também comandar a primeira vice-presidência da Casa, a terceira secretaria, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e a Comissão de Relações Exteriores (CRE). E não será nada fácil fechar este acordo, uma vez que, além das disputas internas, há brigas entre os partidos pelas comissões técnicas e pelas 11 vagas na Mesa Diretora. A cadeira de primeiro vice-presidente, cobiçada por petistas no caso de Tião Viana perder a presidência para Sarney, está sendo disputada pelos tucanos Marconi Perillo (GO) e Álvaro Dias (PR).
Apesar de boa parte dos tucanos afirmar que prefere o perfil de Viana ao de Sarney, todos admitem, nos bastidores, que fica difícil negar apoio ao PMDB para votar em um candidato petista. Além da dificuldade de explicar o voto à opinião pública, há resistência das regionais do partido, por conta do agravante da disputa entre petistas e tucanos nas bases, Brasil afora.
Se a decisão da bancada confirmar a tendência majoritária, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), terá de administrar um velho adversário no Senado e, pior, ainda corre o risco de não emplacar um aliado antigo na Câmara. Embora o PSDB da Câmara tenha fechado oficialmente com a candidatura do presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), a contabilidade tucana revela que o peemedebista tem hoje algo em torno de 35 votos dos 59 tucanos. Uma dezena deles admite, reservadamente, que votará no candidato Aldo Rebelo (PC do B-SP), e o restante diz que prefere Ciro Nogueira (PP-PI).
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