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Mensalao

PSDB pedirá processo contra deputado petista por gesto a Barbosa

Líder tucano na Câmara afirma ter havido quebra de decoro parlamentar por parte de André Vargas durante cerimônia no Congresso

04 de fevereiro de 2014 | 14h 44
Daiene Cardoso - Agência Estado

Brasília - O novo líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Antonio Imbassahy (BA), afirmou nesta terça-feira, 4, que vai entrar com pedido de abertura de processo na Corregedoria da Casa contra o vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR). Os tucanos entendem que houve quebra de decoro parlamentar do petista durante a cerimônia de abertura do ano legislativo na tarde dessa segunda, 3.

Sentado ao lado do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, Vargas repetiu o gesto feito pelos condenados no mensalão no momento das prisões, em novembro do ano passado. O petista ainda trocou mensagens pelo celular manifestando a vontade de dar "uma cotovelada" em Barbosa. Nesta terça o parlamentar negou que tenha tido vontade de agredir o ministro.

"Foi um fato estarrecedor. Você imaginar, numa sessão inaugural do Congresso Nacional, um deputado que é vice-presidente da Câmara e tem posição de liderança na Executiva Nacional do PT, estar ao lado do presidente do STF e fazer o que fez? Ele queria constranger o ministro. E mais do que isso: trocar mensagens falando em dar cotoveladas é uma falta de respeito. Isso é inaceitável", afirmou Imbassahy.

Para o tucano, ficou clara a intenção do petista em "afrontar e desmoralizar a Justiça brasileira". "Ele perdeu as condições de permanecer aqui como deputado", considerou o novo líder do PSDB.

O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), disse que a troca de mensagens "não tem a dimensão de quebra de decoro parlamentar". "Não acho que tenha essa dimensão (de quebra de decoro). Pode discutir se foi gentileza ou não, se foi cordialidade ou não, mas não tem essa proporção", afirmou.

Sobre a iminência de prisão do deputado João Paulo Cunha (PT-SP), um dos condenados do mensalão, Imbassahy lembrou que, ao ser preso, o petista perderá seus direitos políticos automaticamente e que a cassação poderia se dar por "ato de ofício", ou seja, sobraria apenas a possibilidade de renunciar e evitar assim o constrangimento da cassação em plenário. "Acho provável que ele renuncie", previu.

Doações. Mais cedo, a bancada tucana encaminhou à Procuradoria-Geral da República um pedido de investigação de supostos crimes de apologia a crime ou a criminoso e lavagem de dinheiro no processo de arrecadação de doações para petistas condenados no esquema do mensalão. A representação, assinada pelo até então líder do partido na Casa, Carlos Sampaio (SP), questiona o ato de desagravo realizado no 5º Congresso do PT, em dezembro passado, e o volume de recursos destinado ao pagamento de multas impostas ao ex-deputado José Genoino e ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.

Com o apoio de familiares, amigos, apoiadores e militantes petistas, José Genoino arrecadou mais de R$ 700 mil em doações por meio de um site criado exclusivamente para a "vaquinha eletrônica". Com o recurso, obtido em cerca de 10 dias, o petista conseguiu pagar multa de R$ 667,5 mil, decorrente da condenação no processo do mensalão. Delúbio Soares usou a mesma estratégia e conseguiu arrecadar mais de R$ 1 milhão. A multa imposta pelo Supremo Tribunal Federal a Delúbio foi de R$ 466,8 mil.

 






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