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PSDB trabalha por candidatura de Taques no Senado

Tucanos rechaçam nome do PSOL e apostam que Taques é o nome ideal para se contrapor a Renan Calheiros

16 de janeiro de 2013 | 18h 49
Ricardo Brito - Agência Estado

BRASÍLIA - Dona de dez dos 81 votos, a bancada do PSDB no Senado trabalha para tornar competitiva a candidatura do senador do PDT Pedro Taques (MT) à presidência do Senado. O pedetista já anunciou que também entrará na disputa pelo cargo contra o favorito Renan Calheiros (AL), líder do PMDB, e o senador do PSOL Randolfe Rodrigues (AP). Os tucanos, que rechaçam o nome de Randolfe e têm encontrado dificuldades de viabilizar um peemedebista, apostam que Taques é o nome ideal para se contrapor a Renan Calheiros.

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Na terça-feira, o senador do PSOL aproveitou a divulgação de um manifesto que compara a volta do líder do PMDB ao comando da Casa a práticas políticas da República Velha (1889-1930), quando os eleitores votavam em candidatos predefinidos, para se lançar na disputa. O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), já afirmou que a candidatura de Randolfe é "isolada" e não deverá ter o apoio dos tucanos.

Reservadamente, os tucanos acusam o colega do PSOL de ter feito um acordo de última hora com o relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), para retirar o nome do vereador do partido Elias Vaz da lista de sugestões de indiciamento. O relatório de Cunha, entretanto, acabou sendo derrotado e a comissão encerrou os trabalhos em dezembro passado com um texto de duas páginas que não propõe qualquer punição aos envolvidos.

Por outro lado, os senadores do PMDB Pedro Simon (RS), Jarbas Vasconcelos (PE) e Ricardo Ferraço (ES) não têm demonstrado interesse em entrar na disputa contra o líder Renan Calheiros. Seria uma forma de respeitar a tradição do Senado de eleger presidente um representante da maior bancada. Por causa dessas variáveis, o nome de Taques tem sido o mais inflado pelos tucanos. "Eu creio que a candidatura dele teria uma vantagem por ser da base aliada", afirmou Alvaro Dias. A maioria da bancada do PSDB já mandou ao pedetista um recado de que o apoiaria.

Nome. O senador do PDT disse que, se não houver uma candidatura independente no PMDB, lançará seu nome na disputa. "Eu, como senador da República eleito, busco convencer o meu eleitor. Não quero dar um voto de cabresto, ser um senador inconsciente", afirmou. "Se eu tiver o meu voto só, eu entendo que é uma posição que tem que ser marcada de restauração do Poder Legislativo, de reação da edição de medidas provisórias pelo Executivo e de uma reforma administrativa que seja adequada", enumerou o pedetista suas principais bandeiras de campanha.

Apesar de ser um anseio dos independentes uma candidatura única, Pedro Taques afirmou que não pedirá ao senador do PSOL, de quem se diz "amigo", para retirar a candidatura dele. "O senador Randolfe Rodrigues é meu amigo, tem toda a legitimidade de ser candidato, eu entendo a posição dele", disse. Já o parlamentar do PSOL admite, sim, abrir mão da candidatura em prol do colega do PDT.

O pedetista rejeita o rótulo de que sua candidatura seja anti Renan. "O processo de discussão pode enriquecer muito mais do que o resultado, não é uma candidatura contra quem quer que seja. É a favor do Parlamento", ressaltou. Um senador que comanda a campanha de Renan Calheiros ironizou o lançamento dos nomes de Randolfe e Taques. "É uma coisa boa, é bom ter mais candidaturas. Randolfe vai ter menos do que os oito votos que teve quando concorreu contra José Sarney. Taques vai ter menos ainda", disse esse senador.

Ética. O parlamentar apoiador de Renan Calheiros afirmou que os dois querem ocupar o lugar de "paladino da ética" do Senado, ocupado, até meados do ano passado pelo senador cassado Demóstenes Torres (sem partido-GO), acusado de defender os interesses do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Ele afirmou ainda que Renan só deve anunciar sua candidatura às vésperas da eleição, marcada para o dia 1º de fevereiro. É uma estratégia para diminuir, dentro do possível, as suspeitas levantadas em 2007 que levaram o peemedebista a renunciar à presidência do Senado para preservar o mandato de senador.

Alheias às movimentações, a maioria das bancadas ainda não anunciou quem deve apoiar na disputa. Democratas e PSB, partidos cada um com quatro representantes no Senado, ainda não decidiram quem vão apoiar. "Não fomos procurados por ninguém. Vamos decidir na hora certa", afirmou o presidente do DEM, José Agripino Maia (RN). "Não somos a favor nem contra a qualquer candidatura. Não há uma posição definida, isso vai ser tomado em conjunto no final do mês", afirmou.

A líder dos socialistas, Lídice da Mata (BA) tem a mesma posição que Agripino Maia. "O PSB ainda não teve nenhum acerto com ninguém", afirmou. Ela fez coro à posição do deputado do seu partido Julio Delgado (MG), candidato à presidência da Câmara, segundo quem o ideal não é o PMDB controlar as duas Casas legislativas. "É claro que eu acho que o cenário mais equilibrado não seria o cenário de termos um único partido no comando das duas Casas. Isso do ponto de vista formal não é o melhor desenho", destacou.




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