PT do RS reage com cautela à notícia sobre espionagem
O PT do Rio Grande do Sul reagiu com cautela à informação de que dados de seus integrantes, diretórios e veículos eram acessados por um sargento lotado Casa Militar da governadora Yeda Crusius (PSDB), divulgada na tarde de sábado pelo promotor de Justiça Amilcar Macedo. Dirigentes partidários indicaram neste domingo que preferem esperar que o Ministério Público Estadual divulgue mais detalhes da investigação. Ao mesmo tempo adiantaram que a sigla e bancada estadual vão exigir esclarecimentos do governo do Estado e punição aos responsáveis pela espionagem sem, no entanto, levar o tema para a campanha política local.
O caso dos acessos irregulares ao Sistema de Consultas Integradas do Estado foi descoberto em investigação de extorsão a contraventores que teria sido praticada pelo sargento Cesar Rodrigues de Carvalho, preso na sexta-feira. Enquanto tentava esclarecer se a denúncia que havia recebido do dono de um bingo era verdadeira, o Ministério Público Estadual constatou como segunda irregularidade, paralela, o acesso aos dados sigilosos de autoridades, entre as quais um ex-ministro e um senador, e de diretórios do PT, no banco de dados da segurança pública do Estado.
O presidente estadual do PT, Raul Pont, disse que "é inadmissível que alguém de dentro da Casa Militar da governadora utilize a estrutura do Estado para acessar dados sem autorização" ao mesmo tempo em que revelou que não está em discussão o uso do caso na campanha política. "Não vamos transformar a disputa eleitoral em página policial, mas também não aceitamos esse tipo de comportamento como banal", comentou, avisando que o partido vai cobrar explicações do governo do Estado.
Tanto Pont quanto o coordenador executivo da campanha de Tarso Genro (PT) ao governo do Estado, Carlos Pestana, consideram que o caso do Rio Grande do Sul é diferente do acesso a informações fiscais de integrantes do PSDB que a campanha de José Serra à presidência usa para atacar a campanha de Dilma Rousseff. "Aqui há investigação do Ministério Público, com provas, de fatos ocorridos na Casa Militar da governadora", compara Pestana. "Lá ninguém viu o que foi vazado e nem quem usou isso, é um factoide para desqualificar a campanha; aqui não somos nós que acusamos, é o Ministério Público", completa Pont.
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