PT e PSDB erraram ao não se unir, diz Marina Silva
Senadora e pré-candidata do PV à Presidência da República concedeu entrevista exclusiva à TV Estadão
A senadora e pré-candidata à Presidência da República pelo PV, Marina Silva (AC), disse nesta terça-feira, 9, durante entrevista à TV Estadão, que PT e PSDB erraram nos últimos 16 anos ao não entrarem em um acordo para garantir a governabilidade do País. "Um erro que cometemos, e digo nós porque fiz parte do PT durante 30 anos, foi o de não estabelecer um ponto de contato com o PSDB no período em que ele foi governo. E a mesma coisa aconteceu no período em que o presidente Lula é governo."

Assista à entrevista com Marina Silva:
Senadora acredita em 'realinhamento' de PT e PSDB
'O grande desafio é equilibrar produção e consumo'
'PNDH trata questões complexas de forma atabalhoada'
Marina defendeu o entendimento entre os grandes partidos e diz que o PV tem "vontade de conversar". "Ninguém governa sozinho", disse, mas reconheceu que esse acordo suprapartidário, no Brasil, ainda está no campo da utopia. "A grande utopia deste País é que se possa conseguir uma governabilidade baseada em princípios e não apenas no cálculo pragmático de maioria, que muitas vezes é fisiológica."
A pré-candidata criticou o que chamou de disputa entre dois passados, referindo-se às comparações entre os governos Fernando Henrique Cardoso (1994-2002) e Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). "Por mais relevantes que esses governos sejam, não podemos engessar o País em um plebiscito para ver quem fez mais no passado."
Marina não quis comentar a fala do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre a suposta falta de liderança da pré-candidata do PT, a ministra Dilma Rousseff. "Liderança não pode ser outorgada por ninguém, é algo que se conquista. Lula e FHC são líderes. Outros terão de construir sua própria liderança. Apoios ajudam, mas não são suficientes."
Falando sobre outro tema polêmico, a senadora considerou eleitoreira a edição do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH) ao final do governo Lula. "O plano agregou temas de A a Z, que não foram resolvidos nos últimos oito anos, de forma atabalhoada", avaliou.
Marina também comentou sobre o pré-sal e defendeu que uma parte dos recursos gerados seja revertida para a pesquisa de energias alternativas capazes de substituir a energia fóssil no futuro. A senadora elogiou o modelo norueguês de mitigação de impactos negativos da exploração e busca de novas fontes de energia.
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