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Região Norte tem maior número de mortes por raios no Brasil, diz estudo

Das 81 mortes em 2011, 20 foram no Norte; falta de acesso a informações está entre os motivos

14 de fevereiro de 2012 | 6h 09

SÃO PAULO - No país com a maior incidência de raios do mundo, a probabilidade de ser vítima desse fenômeno é ainda maior na Região Norte do Brasil. Em 2011, 25% das mortes desse tipo aconteceram nos Estados da região, segundo um estudo inédito do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Estudo diz que 80% das mortes por raios podem ser evitadas - Tasso Marcelo/AE
Tasso Marcelo/AE
Estudo diz que 80% das mortes por raios podem ser evitadas

Das 81 pessoas que morreram ao serem atingidas por raios em 2011, 20 estavam no Norte. A região é seguida pelo Centro-Oeste, com 22% das mortes; do Nordeste e Sudeste, com 20% cada; e pelo Sul, com 13% do total.

De acordo com Osmar Pinto Junior, coordenador do Elat, o motivo que mais influencia o número de vítimas fatais é a falta de acesso a informações sobre como se proteger de raios. "Se você vai para as regiões onde o acesso à internet ou à imprensa é mais restrito, o número de mortos por raios aumenta", explica.

O levantamento mostra ainda que 80% dos casos de morte por raio podem ser evitados se a pessoa souber como agir em uma tempestade. Para demonstrar a importância da divulgação de como se proteger, basta pegar outro dado crucial da pesquisa, que analisou o fenômenos nos últimos 12 anos.

"No Sudeste, o número de mortos desde 2000 vem diminuindo, apesar de a incidência de raios ter se mantido. Isso mostra o impacto positivo dessa conscientização, que se dá principalmente por meio da internet e da imprensa", afirma Osmar.

Realidade brasileira. Segundo o coordenador, a tendência de se ter menos mortes entre habitantes mais informados, e vice-versa, é semelhante em países como os Estados Unidos. Os dados americanos foram analisados inclusive para que a criação pelo Elat de uma cartilha do que fazer - e o que não fazer - em caso de tempestades com raios.

"Analisamos as principais situações em que há fatalidades por raios no Brasil e elaboramos as recomendações de acordo com a realidade brasileira. Já que as regras de proteção em vigor nos Estados Unidos, por exemplo, não se aplicam ao Brasil", explica Osmar.

Ele cita como exemplo o fato de nas cartilhas americanas haver a recomendação de não se jogar golfe durante tempestades. No Brasil, essa é uma recomendação menos urgente, visto que o esporte é bem menos popular por aqui.

No Brasil, a circunstância que mais mata por raios é praticar atividades agropecuárias ao ar livre, como cuidar de animais em descampados e trabalhar em plantações com enxadas, pás, facões e instrumentos semelhantes.

A segunda causa que mais provoca mortes é ficar próximo a veículos como carros ou andar de moto ou bicicleta. Em seguida, estão casos de mortes em áreas abertas, especialmente em praias, campos de futebol ou próximo a árvores e cercas.

Ficar perto de objetos que conduzem eletricidade, como telefone com fio ou celular conectado ao carregador, também está entre as principais causas desse tipo de morte.

Esse tipo de circunstância é bem mais comum na região centro-oeste, que concentra 20% dos casos, em comparação com 1% no Sudeste. "Esse dado sugere que as redes de telefonia nesta região não são tão protegidas como em outras", diz Oscar.

Fuja dos raios. O melhor abrigo, segundo o coordenador do Elat, para evitar os raios é permanecer em um carro, com portas e janelas fechadas, sem encostar na lataria até o fim da tempestade. No Brasil, não há registro de mortes dentro de veículos fechados.

Mas e quando se está em uma área descampada, longe um carro?  "Uma das alternativas é se refugiar em prédios ou outras construções propriamente ditas", afirma Oscar.

No entanto, ele reconhece que essa pode não ser uma opção viável e que o recomendável é ter um sistema de alerta de raios, especialmente em parques e até em grandes fazendas. "É possível se ter um equipamento no próprio local ou, uma opção mais sofisticada, receber o alerta de instituições meteorológicas."

Em São Paulo, um exemplo seria o Parque Villa-Lobos, na zona oeste. Nos últimos 10 anos, duas pessoas morreram ao ser atingidas por raios, além de uma segurança que foi atingida no ano passado e sobreviveu.

De acordo com a Secretaria do Meio Ambiente, que administra o parque, há para-raios e dispositivos semelhantes instalados em todo o parque. No entanto, "o sistema de alerta anterior à tempestade ainda não foi instalado, já que ainda está na fase de elabaoração de um estudo do sistema na área".

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Tópicos: Raios, Tempestades, Norte, Inpe,

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