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Renan trabalhou para reconduzir Gurgel ao comando do Ministério Público

No sábado, líder peemedebista disse que acusação criminal apresentada pelo procurador-geral era 'nitidamente política'

30 de janeiro de 2013 | 19h 28
RICARDO BRITO - Agência Estado

Favorito para presidir novamente o Senado a partir desta sexta-feira (01), o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), trabalhou nos bastidores da Casa para demover resistências de colegas a fim de garantir a recondução de Roberto Gurgel ao comando da Procuradoria-Geral da República (PGR), em meados de 2011. No sábado passado (26), um dia após ter sido denunciado por Gurgel por crimes que quase o levaram à cassação, quando presidia o Senado em 2007, o líder peemedebista colocou sob suspeita a acusação criminal do procurador-geral, classificando-a de "nitidamente política" por ter sido feita às vésperas da eleição.

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Na época, e por motivos distintos, a bancada do PT e o então líder do Democratas, Demóstenes Torres (GO), demonstravam as maiores reservas a dar mais dois anos de mandato a Roberto Gurgel. Os petistas questionavam o chefe do Ministério Público Federal por ele ter pedido àquela altura a condenação de 36 réus do mensalão, entre os quais a antiga cúpula do partido. Demóstenes, ao menos publicamente, criticava a atuação de Gurgel por não ter pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito contra o então ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, por suspeita de tráfico de influência e enriquecimento ilícito.

A presidente Dilma Rousseff encaminhou ao Senado a mensagem para reconduzir Gurgel em 7 de julho de 2011, mesmo dia em que ele apresentou as alegações finais do mensalão ao Supremo. Dois senadores, um da oposição e outro da base aliada, e uma fonte ligada ao procurador-geral disseram à Agência Estado que Demóstenes buscou apoios para tentar derrotar a indicação. Publicamente, a justificativa era o caso Palocci. Em privado, segundo relatos de três fontes, o senador do DEM suspeitava que estava sendo investigado por Gurgel.

Em um encontro às vésperas da sabatina do chefe do Ministério Público Federal, Demóstenes recusou-se a ir ao gabinete do senador Pedro Taques (PDT-MT) para se encontrar com Gurgel. O senador do DEM alegou aos presentes que não iria se reunir com alguém que ele suspeitava que o investigava. No dia 11 de julho, o líder do Democratas foi um dos responsáveis pelo pedido de vista da indicação de Gurgel na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), alegando a necessidade de cumprir o rito segundo o qual não se votava o processo no mesmo dia da discussão do sabatinado com os senadores. Dessa forma, o Gurgel teve de ficar alguns dias fora do cargo porque seu mandato expirou no dia 22 daquele mês.

Na segunda apreciação do caso na CCJ, no dia 3 de agosto, o líder do DEM mudou de última hora da sua disposição inicial de indicar voto contra Gurgel e a bancada do PT, que ameaçava nos bastidores retaliá-lo por causa do mensalão, não cumpriu a promessa. O líder peemedebista é apontado como um dos conselheiros da mudança de postura tanto dos democratas como dos petistas. "Renan trabalhou para reconduzi-lo", afirmou uma pessoa que acompanhou a movimentação de Gurgel para garantir um novo mandato.

Naquela sabatina da CCJ, Renan Calheiros, que participou da contagem dos votos, não fez qualquer pergunta ao sabatinado. Elogiou-o pela "isenção" e pela "independência" e ressaltou que as suas palavras só reforçavam a posição do PMDB de apoio à recondução. "Parabéns, doutor Gurgel", encerrou. Na comissão, Gurgel teve 21 votos favoráveis e um contrário. Na discussão em plenário antes da votação secreta, no mesmo dia, o líder peemedebista foi o primeiro a recomendar o voto "sim" em Gurgel, que recebeu 56 votos a favor e apenas seis contrários.



Tópicos: Senado, Sucessão, Renan, Gurgel

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