Retrospectiva 2011: Ana de Hollanda enfrenta polêmica frente ao Ministério da Cultura
Ministra, que foi alvo de críticas e protestos, pode ser alvo da reforma ministerial do ano que vem
A sonora vaia durante a leitura de uma mensagem enviada pela ministra Ana de Holanda no Festival Internacional CulturaDigital.Br, no dia 2 de dezembro, foi apenas a última de uma série de contestações enfrentadas pela titular da pasta desde que assumiu, em janeiro. Logo no início da gestão, a ministra foi alvo de protestos após retirar do site do MinC as licenças Creative Commons, o que foi interpretado por muitos como adesão a uma visão conservadora do direito autoral. A ação foi questionada pelo ex-ministro Gilberto Gil em entrevista ao jornal ‘O Estado de S.Paulo’.
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A resistência de setores do PT à ministra foi escancarada pela polêmica posterior à nomeação do sociólogo Emir Sader para dirigir a Fundação Casa de Rui Barbosa. Ele definiu a ministra como "meio autista" em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, comentário que a fez cancelar a indicação. Em outubro, o sociólogo voltou à carga e usou o Twitter para especular sobre a demissão da ministra.
Em maio, reportagem do ‘Estado’ revelou que Ana de Holanda vinha usando verbas do governo para o uso em diárias em fins de semana para compromissos não oficiais no Rio, cidade onde tem imóvel próprio. A ministra aceitou devolver o dinheiro após a manifestação da Controladoria-Geral da União, que exigiu a restituição dos valores.
O maior problema enfrentado por Ana de Holanda à frente do MinC, no entanto, tem sido o corte no orçamento da pasta. Anunciado em março, representou uma redução de R$ 760 milhões, entre repasses diretos e emendas parlamentares, na verba disponível. Diversas instituições culturais, como a Fundação Bienal de São Paulo, deixaram de receber apoio do governo.
Em meio a esse quadro, gerou bastante discussão um projeto da cantora Maria Bethânia, autorizada pelo MinC a captar R$ 1,3 milhão para a criação de um blog de poesia, dos quais R$ 600 mil seriam exclusivamente destinados a ela como cachê.
Servidores da pasta entraram em greve em agosto para reivindicar o cumprimento de acordo de 2007 que previa, entre outras coisas, aumento de 78% para todas as funções. A paralisação durou 22 dias. Em novembro, nova polêmica ameaçou surgir após a inclusão de um livro do irmão da ministra, Chico Buarque de Holanda, em lista de títulos que receberiam subsídio para divulgação no exterior.
A crise em outros ministérios, que levou à saída de sete ministros de Dilma, ajudou Ana de Holanda a ganhar uma sobrevida no cargo, mas ela segue cotada para deixar a pasta na reforma ministerial que deve ocorrer em janeiro de 2012.
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