Retrospectiva 2011: José Alencar morre aos 79 anos em São Paulo
Ex-vice-presidente foi peça fundamental da aliança que elegeu Lula em 2002
Depois de travar uma luta por 13 anos contra um câncer no abdome, o ex-vice-presidente José Alencar Gomes da Silva faleceu em 29 de março de 2011, depois de passar por 17 cirurgias para conter a doença. Segundo boletim divulgado pelo hospital, o ex-vice morreu "em decorrência de câncer e falência de múltiplos órgãos", mas o seu estado crítico já não permitia qualquer procedimento cirúrgico. Naquela altura, Alencar estava sendo tratado apenas com analgésicos para aliviar a dor.
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Alencar foi peça fundamental da aliança que elegeu Lula em 2002, Alencar foi uma das poucas vozes do governo a pedir a redução dos juros durante o primeiro mandato do presidente Lula. Nascido em Muriaé, Minas Gerais, em 17 de outubro de 1931, além de político, foi também empresário do setor têxtil. Antes de tornar-se vice-presidente, em 2003, foi senador por Minas Gerais.
Empresário mineiro, Alencar começou sua vida política como presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, presidente da FIEMG (SESI, SENAI, IEL, CASFAM) e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria. Em 1994, Alencar candidatou-se às eleições para o Governo de Minas e disputou, em 1998, uma vaga no Senado Federal, elegendo-se com quase três milhões de votos. Em 2003, elegeu-se vice na chapa do candidato do PT.
Com a reeleição de Lula, Alencar continuou no o cargo de vice-presidente até o dia de sua morte. No começo de seu mandato, era voz dissonante da política econômica do ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci. Alencar defendia uma interferência política nas decisões econômicas do governo, principalmente em relação aos até então elevados juros praticados pelo banco central. Já o ex-ministro da Fazenda dizia que não deveria haver critérios políticos para as decisões do Banco Central.
Em uma de suas últimas aparições públicas, Alencar foi à cerimônia de aniversário da cidade de São Paulo e recebeu a Medalha 25 de Janeiro. Debilitado, Alencar chegou de cadeira de rodas acompanhado por uma equipe de médicos. O ex-vice-presidente, emocionado, admitiu que chorou ao saber que Dilma e Lula estariam juntos na homenagem. “Eles vieram e eu achava que não poderia deixar de vir”, disse Alencar.
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