Rumo ao PSD, Afif diz apoiar Serra em 2012

Vice de Alckmin considera tucano ‘nome natural’ para suceder Kassab e acena com hipótese de aliança na próxima eleição

Roberto Almeida, de O Estado de S. Paulo

30 Março 2011 | 23h11

Um dia após o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), ter declarado que o ex-governador José Serra é "o melhor nome" para disputar a Prefeitura de São Paulo pelo PSDB, o vice-governador Guilherme Afif Domingos, que caminha rumo ao PSD ao lado do atual prefeito Gilberto Kassab, endossou a posição do tucano.

 

Nesta quarta-feira, 30, ao fim de evento no Palácio dos Bandeirantes, Afif afirmou que a escolha de Serra para suceder a Kassab está "dentro da coerência" do novo partido e acenou com a possibilidade de aliança entre as duas legendas para a disputa de 2012. "O Serra é um nome muito ligado a nós", ressaltou, em referência à nova legenda e ao PSDB.

 

Segundo Afif, o ex-governador seria o "nome natural" do PSDB para disputar a prefeitura. Ao mesmo tempo, afirmou o vice, é preciso esperar por sua decisão de concorrer ou não no pleito do ano que vem. Até o momento, Serra tem negado desejo de disputar o cargo.

 

O apoio de Alckmin e Afif ao nome de Serra surge no momento em que a presidência do diretório municipal do PSDB, que dará as cartas no partido na próxima eleição, permanece indefinida. Alckmin pretende emplacar seu secretário de Gestão, Julio Semeghini, no comando da legenda em São Paulo, mas a bancada de vereadores do PSDB, ligada a Serra, também pleiteia a posição e deve endurecer a disputa.

 

Enquanto a eleição do diretório não ocorre - está marcada para o dia 10 de abril - o nome do ex-governador é visto como uma forma de pacificar esses dois grupos, encerrando a disputa interna. Além disso, é tratado como ponto essencial para selar a união entre PSD e PSDB na disputa pela maior capital do País.

 

Kassab tem afirmado publicamente que seu partido caminhará com os tucanos em 2012 com Serra candidato. Membros da bancada de vereadores que desejam o ex-governador na disputa também se animaram com a declaração de Alckmin. Para eles, a candidatura de Serra ajudaria a distensão entre os grupos tucanos.

 

Força. Alckmin negou nesta quarta, após evento no Palácio dos Bandeirantes, que tenha "lançado" a candidatura de Serra à prefeitura. No entanto, voltou a afirmar que o ex-governador é um "nome forte". "Isso não está certo porque vai ser tratado só ano que vem", observou. Diante da insistência de jornalistas, resumiu: "Só em 2012."

 

Na visão de aliados do governador, com a declaração de apoio a Serra, Alckmin emite um aceno de pacificação à disputa do diretório e pressiona Serra a escolher se será candidato no ano que vem.

 

Aliados. Com a decisão de escolher um técnico para a vaga deixada por João Sampaio na Secretaria de Agricultura, o PMDB paulista deve ficar de fora do primeiro escalão do governo Alckmin e tende ao alinhamento com o governo federal a partir de 2012.

 

Enquanto a bancada estadual do PMDB negocia participação em órgãos do governo, o presidente estadual da sigla, Baleia Rossi, garante que "o PMDB está fora" da gestão Alckmin. "Vamos trabalhar nosso projeto de crescimento", afirmou.

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