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Sargento preso no RS acessou até fotos de crianças

06 de setembro de 2010 | 20h 37
ELDER OGLIARI - Agência Estado

Pelo menos 30 pessoas tiveram seus dados acessados indevidamente pelo sargento Cesar Rodrigues de Carvalho, lotado até dias atrás na Casa Militar da governadora gaúcha Yeda Crusius (PSDB) e preso preventivamente desde sexta-feira. Ele teve acesso até a informações e fotografias de crianças. A relação foi divulgada hoje pelo promotor Amilcar Fagundes Freitas Macedo, coordenador da Operação Agregação, que investigou supostas extorsões que o militar estaria praticando contra exploradores de caça-níqueis em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre.

Na apuração do caso, a força-tarefa, integrada também pelo Núcleo de Inteligência do Ministério Público e pela área de inteligência do Comando de Policiamento Metropolitana, descobriu que o sargento usava sua senha restrita para acessar dados do Sistema de Consultas Integradas do Estado com fins diferentes da função de proteger a segurança da governadora e de sua família.

Entre as pessoas que tiveram seus dados bisbilhotados estão o ex-ministro da Justiça e atual candidato ao governo do Estado Tarso Genro (PT) e outros dois políticos do PT, o senador Sérgio Zambiasi e quatro filiados ao PTB. Também estão na relação quatro delegados de polícia e quatro oficiais da Brigada Militar (BM, a Polícia Militar gaúcha), cinco advogados, quatro jornalistas, empresários e assessores do governo do Rio Grande do Sul.

O sargento também acessava informações sobre existência de investigações que poderiam ter como alvo ele mesmo, a governadora e funcionários próximos a Yeda, como o ex-chefe de gabinete Ricardo Lied e as assessoras Walna Vilarins e Sandra Terra.

Crianças

O que mais chamou a atenção da força-tarefa foram acessos a informações e fotografias de crianças, filhas de deputados e de uma desembargadora, que tiveram seus nomes preservados. Mesmo que os dados sejam os de identificação, endereço, existência de processos, débitos ou problemas com a polícia e a Justiça, considerados "ferramentas" para o trabalho policial, o promotor considerou que o sargento excedeu seus limites de servidor voltado para a segurança da governadora e da família dela.

"Que tipo de insegurança uma criança poderia causar à governadora?", questiona Macedo, que considera que acessos que não tiveram a finalidade de Estado, como busca de réus ou fugitivos, e violaram dados sigilosos. O promotor diz que só a sequência da investigação vai revelar quais as intenções o sargento tinha e que uso fazia ou faria dos dados.




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