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Sarney não renuncia e diz que é vítima de campanha da mídia

Em discurso no plenário, presidente antecipa defesa de todas acusações sofridas desde o início do mandato

05 de agosto de 2009 | 16h 24
CAROL PIRES - Agencia Estado

Em discurso que antecipou a defesa das acusações sofridas desde o início de seu mandato, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), afirmou nesta quarta-feira, 5, ser vítima de uma campanha para desestabilizá-lo, e disse que não renunciará ao cargo.

José Sarney discursa no plenário - Celso Junior/AE
Celso Junior/AE
José Sarney discursa no plenário

Sarney sustentou nunca ter cometido nenhum ato que desabone sua história política. "Não tenho senão que resistir, foi a única alternativa que me deram", declarou. O senador afirmou nunca ter se envolvido em escândalo, durante a sua carreira política. Segundo ele, as representações encaminhadas recentemente ao Conselho de Ética "não representam ilícito".

O senador apresentou também explicações para cada uma das denúncias que pesam contra ele. No caso da contratação do namorado de sua neta, Sarney avaliou que não cometeu qualquer ilícito. "A pessoa que foi contratada era capacitada, graduada em Física, trabalha assiduamente, e recebe elogios de seu chefe nesta casa", disse. Definiu ainda como ilegal e brutal a divulgação das gravações feitas pela Polícia Federal, nas quais aparece conversando com seu filho, o empresário Fernando Sarney.

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"Acusam-me de favorecer um namorado de minha neta por ato secreto. Nos trechos de diálogos divulgados de maneira ilícita, verifica-se que se tratam de conversas coloquiais entre familiares", declarou. "Não há nelas qualquer palavra minha em relação a nomeação por ato secreto", acrescentou. Por fim, ressalvou que, como avô, faz o que pode, dentro da legalidade, para ajudar seus netos. "É claro que não existe o pedido de uma neta; se pudermos ajudar legalmente, qualquer um de nós não deixaria de ajudar", disse.

No telão do Senado, o presidente apresentou uma lista de nomes para dizer que não era responsável pelas nomeações daquelas pessoas. Ele, no entanto, admitiu que pediu ao senador Delcídio Amaral (PT-MS) que contratasse Vera Macieira para trabalhar em Mato Grosso do Sul. Quanto aos demais nomes, Sarney disse que as contratações foram feitas por requisição dos senadores. "Sou acusado por essa lista como se fosse minha. Só tenho uma pessoa, Vera Portela Macieira Borges", disse. E continuou: "Essas nomeações foram feitas pelo diretor geral (do Senado) por requisição dos senadores para os gabinetes".

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), rebateu parte do discurso do presidente da Casa. "Não quero ser grosseiro e dizer que o senhor faltou com a verdade", disse Virgílio, citando, em seguida, rapidamente três pontos levantados por Sarney. Ele contestou o fato do presidente dizer que não conhecia Rodrigo Cruz, nomeado pelo Senado, que é genro de Agaciel Maia (ex-diretor do Senado). "O senhor foi padrinho de Rodrigo Cruz. O dia foi emocionante e o senhor não se lembrou disso", disse o tucano, numa referência ao fato de Sarney ter sido padrinho de casamento da filha de Agaciel Maia.




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