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Sem conseguir mais espaço no governo, parte do PMDB mira Temer

Ala do partido manifesta descontentamento com vice-presidente após Dilma avisar que não pretende ampliar número de ministérios sob comando da sigla

14 de janeiro de 2014 | 12h 05
Erich Decat - Agência Estado

Brasília - A resistência da presidente Dilma Rousseff em conceder mais espaços no governo ao PMDB gerou uma série de críticas dentro do partido. As críticas não são direcionadas apenas à petista, mas também ao vice-presidente da República e presidente licenciado da legenda, Michel Temer.

Em conversas reservadas entre peemedebistas na noite dessa segunda-feira, 13, e na manhã desta terça, 14, parte da cúpula não esconde a frustração de não ter recebido uma resposta positiva quanto à demanda para se ampliar para seis o número de ministérios no atual governo. A negativa ocorreu na noite dessa segunda em encontro entre Dilma e Michel Temer em Brasília, quando foi discutida a composição da Esplanada em 2014. Até março, Dilma pretende fazer uma reforma ministerial em razão das saídas de titulares que vão disputar as eleições.

A expectativa do PMDB era de recuperar em um ano eleitoral parte do espaço que detinha no governo Lula. O tema será discutido nesta quarta-feira em um encontro da cúpula do partido em Brasília que, segundo peemedebistas, promete ser "estressante". Uma posição partidária deve ser tomada e encaminhada a Dilma.

Entre os mais radicais, há aqueles que defendem que o partido, "subdimensionado" no governo, coloque os cargos à disposição. Atualmente, o PMDB ocupa os ministérios de Minas e Energia, Previdência, Agricultura, Turismo e Aviação Civil.

Além do descontentamento com Dilma, a falta de avanços nas negociações reascendeu em alguns setores do PMDB o questionamento sobre a condução da legenda por parte de Temer. A crítica é que, como vice-presidente da República, ele não estaria conseguindo atender às demandas do partido. Um cacique do PMDB envolvido na discussão da reforma ministerial considerou que Temer pode sair enfraquecido internamente caso o desejo de mais espaço no governo federal não seja atendido. "Ele quis acumular a posição de vice-presidente e presidente do partido. É o fiador do partido nessas questões há três anos. Sem avanços neste momento é claro que Temer acaba se enfraquecendo internamente", disse um integrante da cúpula do PMDB.

Além da questão dos cargos no governo, outro teste de fogo interno para Temer é a discussão das alianças nos Estados que pode ter sequelas na convenção nacional do partido prevista para o meio do ano. Na ocasião será batido o martelo sobre a permanência na aliança com Dilma.

A ida de Temer ao Rio de Janeiro ontem foi considerada por parte de integrantes do PMDB não apenas como um gesto a favor da candidatura de Luiz Fernando Pezão ao governo local, mas também como busca de apoio à sua permanência na chapa de Dilma e na presidência do partido. "É lógico que a ida dele também foi feita de olho nas convenções", disse um peemedebista que esteve no encontro realizado no Palácio da Guanabara. Estiveram também presentes o governador Sérgio Cabral, o presidente do diretório fluminense do partido, Jorge Picciani, e o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ). No Estado do Rio, o PMDB tenta manter aliança com o PT que por sua vez deve lançar na disputa ao governo local o nome do senador Lindbergh Farias.






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