Senado decide na terça se convoca ‘aloprado’
Expedito Veloso acusou o ministro Aloizio Mercadante de ser o mentor do dossiê que o PT tentou divulgar em 2006
BRASÍLIA - O esquema dos aloprados volta à pauta do Senado na semana que vem, com a votação de dois requerimentos convidando para depor o petista Expedito Veloso. Ele acusou o ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, de ser o mentor do dossiê com informações falsas que o PT tentou divulgar em 2006. O dossiê era para atingir José Serra, rival de Mercadante na eleição ao governo de São Paulo daquele ano.
Reportagem da revista Veja atribuiu a Veloso a informação de que Mercadante seria um dos "arrecadadores" do R$ 1,7 milhão que seria usado para pagar o dossiê. O ministro, em depoimento no Senado, negou participação no episódio e responsabilizou militantes do PT que agem como se estivessem desempenhando uma "missão heroica".
Os presidentes das Comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Constituição e Justiça (CCJ), Delcídio Amaral (PT-MT) e Eunício Oliveira (PMDB-CE), prometeram votar na terça-feira os convites do líder do PSDB, Álvaro Dias (PR). "Esse escândalo é muito grave para ser esquecido. Expedito tem muito a dizer, ele tem de ser ouvido", alega Dias.
Os votos do PMDB, nesse caso, contam a favor da oposição, pois tanto o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), como o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), deixaram claro que nada farão em favor de Mercadante. A reação decorre de ele ter recebido a ajuda dos senadores para não ser investigado pela Polícia Federal e, mais adiante, ter se omitido quando os senadores foram acusados de quebra de decoro.
‘Ele quer vir’. No PT, o líder Humberto Costa (PE) disse que caberá à ministra Ideli traçar a estratégia de ação do partido. "Pelo que eu sei, ele (Veloso) é quem quer vir depor", alegou. Procurado pelo Estado, Expedito Veloso disse que não podia falar porque estava "atendendo pessoas" naquele momento.
A suspeita da participação de Mercadante deve-se ao fato de que um dos principais envolvidos no escândalo foi o seu assessor Hamilton Lacerda. Hoje lotado em um cargo do governo do Distrito Federal, Veloso disse que Mercadante participou da decisão de comprar o conteúdo do dossiê contra os tucanos.
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