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Serra acusa Dilma de 'utilizar filho dos outros para ganhar a eleição'

Candidato culpou petista por vazamento de dados da filha e disse que rival 'aprendeu com Collor'

01 de setembro de 2010 | 2h 17
Paulo Maciel e Jair Stangler, do estadão.com.br

Em entrevista ao Jornal da Globo, na noite de terça-feira, 31, o candidato à Presidência da República, José Serra (PSDB), classificou de "ato criminoso" a quebra do sigilo fiscal de sua filha, Verônica Serra, e culpou diretamente a campanha de Dilma no episódio. Ele disse também que, se eleito, não deverá fazer novas privatizações, mas defendeu aquelas que foram feitas durante o governo do também tucano Fernando Henrique Cardoso.

Candidato do PSDB  foi o segundo candidato da série de entrevistas do Jornal da Globo - TV Globo/Reprodução
TV Globo/Reprodução
Candidato do PSDB foi o segundo candidato da série de entrevistas do Jornal da Globo

Dilma Collor

O tucano culpou diretamente a campanha de Dilma pelo caso, que chamou de "ato criminoso", disse que Dilma "aprendeu com Collor" a usar o filho dos adversários na campanha e que o PT é "especialista em mentiras".

"Utilizar filho dos outros para ganhar a eleição, é uma coisa que eu só tinha visto o Collor fazer com o Lula, lembra?", questionou o candidato. "Agora, a turma da Dilma está fazendo a mesma coisa, pegando a minha filha, que é uma mãe de três filhos, trabalhadora, para tentar fazer chantagem. Aliás, quem sabe ele tenha transferido a tecnologia", acrescentou. "Se eles fazem isso campanha, imagina o que vão fazer se ganharem as eleições", disse ainda o tucano.

"A Dilma, aliás, tá repetindo aquilo que o Collor fez, e mais, agora o Collor tá do lado dela, e quem sabe ele tem feito a transferência da tecnologia para ela", diz o tucano.

Serra afirmou ainda que os dados do Imposto de Renda já estavam aparecendo em "blogs sujos do PT" desde o ano passado e que sua filha falou que acreditava que estavam vasculhando seu IR. "É um jogo sujo, é um jogo baixo", classificou. O candidato classificou como "mentira descarada" a alegação da Receita de que acessou os dados com autorização de sua filha.

Privatizações

O tucano afirmou que, se eleito, não deverá fazer novas privatizações, mas por outro lado elogiou o que foi feito durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. "Não tem o que privatizar no horizonte", sustentou. "O caso mais bem sucedido de privatização, no Brasil, foi telecomunicações, que o Lula já elogiou, que a Dilma já elogiou e que todo mundo já elogia".

Ele aproveitou o tema para criticar o uso de empresas públicas por grupos políticos e citou como exemplo o recente escândalo envolvendo os Correios. "Eles fizeram um tipo de privatização, de entregar os ECT, que era uma empresa eficiente, para grupos políticos, que ficam lá montando negócios. É um escândalo atrás do outro. Ou seja, usam o Correios para fins privados", acusou o candidato tucano. "Ela é muito pior que qualquer outra."

Ele também se comprometeu a combater as indicações políticas para cargos de direção de estatais, como na Petrobrás, que segundo ele têm sido usados para fazer "negócios" e para "favorecer amigos". "Eu vou desprivatizar toda a administração pública. Inclusive as empresas", salientou o tucano. "O que é publico vai continuar sendo público e não vai ser um loteamento usado pelos políticos."




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