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SIP vê ‘censura sutil’ no continente

Rede de esquemas para restringir funcionamento da mídia é um dos eixos da assembleia aberta sexta

06 de novembro de 2009 | 21h 22
Ariel Palacios, de O Estado de S. Paulo

A denominada "censura sutil" sobre a imprensa - uma rede de esquemas criados pelos governos para restringir o funcionamento da mídia - é um dos eixos da assembleia da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), aberta nesta sexta-feira, 6, no hotel Hilton na capital argentina. Mais de 500 editores da região analisarão até terça-feira as medidas de censura sobre o trabalho jornalístico, reformas legais que dificultam a ação da mídia, além da interferência dos governos dos países latino-americanos nos conteúdos editoriais das empresas de mídia e ataques sofridos por jornalistas e empresas de mídia.

A SIP, fundada em 1942, é integrada por 1.300 jornais do continente, com circulação diária total de 50 milhões de exemplares.

Segundo o chileno Julio Muñoz, diretor executivo da SIP desde 1994, "existe uma atitude de revanchismo contra a imprensa" na Argentina, onde o governo da presidente Cristina Kirchner mantém intenso e persistente confronto com a mídia desde 2008. Muñoz também destacou problemas graves para a mídia na Venezuela, Equador, Bolívia, Honduras e Nicarágua. Segundo ele, as modalidades dos ataques à liberdade de imprensa variam de acordo com os países. No caso argentino, a liberdade foi atingida pela recém-aprovada Lei de Mídia, que restringe a ação dos canais de TV e rádio.

Muñoz considera que a lei aplicada pela presidente Cristina e as normas determinadas pelo presidente do Equador, Rafael Correa - segundo o qual, as leis contra a mídia são para "proteger os cidadãos" - têm "o propósito de controlar os meios de comunicação, criar um monopólio estatal de mídia e eliminar a imprensa independente".

A presidente foi convidada pela SIP para participar do evento, mas, até ontem não respondeu.

No caso da Venezuela, as restrições aplicadas pelo governo são realizadas no formato de agressões e ameaças contra informações consideradas "incômodas" nos jornais e televisão.

Os especialistas também discutirão casos de censura encobertas no Brasil, El Salvador e Colômbia, além do assassinato de jornalistas no México.

BICENTENÁRIO

O principal painel da primeira jornada da assembleia da SIP a discutir os problemas para a liberdade de imprensa na região foi o Luzes e sombras do bicentenário na América Latina, com a participação da veterana jornalista argentina Magdalena Ruiz Guiñazú, a historiadora María Sáenz de Quesada e o senador e jornalista Rodolfo Terragno.

Os participantes analisaram o estado da liberdade de imprensa na região, desde uma perspectiva histórica, já que treze países das Américas celebrarão em 2010 e 2011 os 200 anos de suas independências.

Terragno, que foi perseguido nos anos 70 por suas atividades jornalísticas pelo governo de Isabelita Perón e a posterior a ditadura militar, sustentou que a internet dificultará aos governos autoritários a imposição de restrições à mídia.

Segundo Terragno, "nunca antes tantas pessoas puderam comunicar-se com tantas outras pessoas. E isso é uma coisa que está apenas começando. Os governos não estão preparados para isso, pois estão acostumados apenas à propaganda oficial. Com esta revolução jornalística na web, os governos não poderão mais buscar os jornalistas nas redações nem limitar a circulação dos exemplares. A internet dificultará a tarefa dos governos despóticos".




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