Sob forte chuva e palmas, Celso Pitta é enterrado em SP
Ex-prefeito, internado desde 3 de novembro com câncer no intestino, morreu na noite desta sexta-feira
Parentes, políticos e amigos acompanham sepultamento, que teve gritos de "Pitta, Pitta, Pitta!" Sob chuva forte, familiares, amigos, políticos e partidários acompanharam o enterro do ex-prefeito Celso Pitta no final da tarde deste sábado, 21, no cemitério Getsêmani, em São Paulo. Não houve discursos, apenas uma salva de palmas, e algumas pessoas que repetiram, em voz alta, o nome do prefeito. "Pitta, Pitta, Pitta!"
Dos familiares mais próximos, foram ao enterro a mãe de Pitta, dona Zuleica, de 89 anos, a viúva, Rony Golabeck, e os filhos Vítor e Roberta Pitta. Mais cedo, cerca de 600 pessoas compareceram ao velório, no saguão da Assembleia Legislativa.
O economista e ex-prefeito de São Paulo morreu na noite de sexta-feira, aos 63 anos, no Hospital Sírio-Libanês, na capital. Ele estava internado desde 3 de novembro e tinha câncer no intestino. Pitta esteve à frente da Prefeitura de São Paulo de janeiro de 1997 a dezembro de 2000.
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Celso Pitta também foi casado com Nicéa Camargo, de quem se separou em 1999 e enfrentou acusações e processos. No fim do ano passado, chegou a ser condenado a pagar uma dívida de R$ 100 mil a Nicéa referente a cinco meses de pensão alimentícia atrasada. A ex-mulher não compareceu ao velório, assim como o ex-prefeito Paulo Maluf, padrinho político de Pitta. Maluf enviou um telegrama de condolências à família Pitta e disse estar fora de São Paulo.
Durante o velório, o cantor e vereador Agnaldo Timóteo (PR-SP), de frente para o caixão com o corpo de Pitta, declarou: "Desculpa por não tê-lo defendido da maneira que merecia". Timóteo lembrou que Pitta morreu no Dia da Consciência Negra e questionou: "Onde estão os negros que deveriam ter lutado por Pitta?"
O deputado estadual Antonio Salim Curiati (PP-SP), ex-secretário para Assuntos Comunitários na gestão de Celso Pitta na Prefeitura de São Paulo, disse que o ex-prefeito não teve sorte com a ex-mulher e enfrentou muitas desavenças que tumultuaram sua vida.
O cantor e vereador Agnaldo Timóteo (PR-SP), de frente para o caixão com o corpo de Pitta O deputado federal Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) afirmou que "o tempo vai demonstrar que o Pitta foi muito injustiçado". Segundo ele, a sociedade paulista não aceitou que um negro assumisse a Prefeitura de São Paulo.
O investidor Naji Nahas também foi ao velório de Pitta, mas evitou a imprensa e não deu declarações. Pitta foi preso em julho do ano passado durante a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, acusado de suposto envolvimento em crimes financeiros, assim como Daniel Dantas e Naji Nahas. Todos foram libertados alguns dias depois. Segundo a PF, Pitta era sócio de Nahas e mantinha contas no exterior com dinheiro desviado de obras públicas durante seu mandato. Depois, esse dinheiro voltava para o Brasil por meio de doleiros. A defesa do ex-prefeito negou que ele tenha cometido qualquer um dos crimes.
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