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Solimões, um rio mais traiçoeiro que o mar

Rio muda de feição a cada passada: os bancos de areia se movem pelo leito sem que se perceba

04 de dezembro de 2009 | 19h 01
Roberto Almeida, enviado especial à Amazônia

 O Kukahã roncou durante 12 horas. Trajeto em ziguezague para desviar das toras que povoam o Solimões, cortadas rio acima, no Peru. O piloto Valderi e o marinheiro Rafael se revezaram no leme, desde a saída de Tabatinga às 14h30 do dia 1º de dezembro e a chegada a São Paulo de Olivença, às 4h do dia 2.

O tempo de viagem era para ser mais curto, não fosse um rápido temporal, de meia hora, que fez com que o chefe da expedição, Rieli Franciscato, pedisse para acostar na margem. Medo de um vento forte contra a corrente do rio, que poderia causar um "banzeiro" - ondas de até um metro, sem direção, que causariam danos à embarcação.

A parada no posto fluvial da Polícia Federal no Solimões também tomou uma hora da viagem. Os agentes da PF trabalham ali, na beira do rio, em um barco improvisado para coibir a entrada de drogas no País, vindas do Peru e da Colombia. Quem passar sem parar é perseguido e averiguado.

Veja também:

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Com a documentação em ordem, seguimos viagem a não mais que 10 km/h. A noite caiu, com lua coberta pelas nuvens, e o único guia nesses casos é um grande holofote, no teto do barco, operado pelo piloto. Acende, ilumina os troncos, apaga o breu assume seu lugar.

Navegar no Solimões é mais perigoso do que no mar, garante Rieli. O rio muda de feição a cada passada, as "praias" ou bancos de areia invisíveis para o leigo se movem pelo leito sem que ninguém veja. O rio não tem canal de passagem definido. O calado do Kukahã tem 1m20 e é fácil encalhar.

Valderi sabe disso há 19 anos. Foi de copiloto pela primeira vez quando tinha 17, hoje tem 36 e diz que levou pelo menos 4 anos para pegar no leme a primeira vez. Olhando e ouvindo as instruções dos mais velhos, aprendeu todos os truques do rio, que engana quem bobear.




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