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Stédile admite que Bolsa Família ajudou a reduzir acampamentos

Dirigente do MST critica Incra e promete pressão para que governo Dilma acorde para a reforma agrária

07 de abril de 2011 | 15h 30
Angela Lacerda, de O Estado de S.Paulo

RECIFE - Ao avaliar que 2010 foi o pior ano para a reforma agrária, o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, apontou o programa federal Bolsa Família como um dos fatores que levaram à redução do número de acampamentos de sem terra no País. "É verdade, o Bolsa Família ajudou a acomodar as pessoas em algumas regiões", afirmou ele nesta quinta-feira, 7, em entrevista coletiva, no Recife. Segundo ele, nos governos de Fernando Henrique Cardoso e de Lula, a média anual de ocupações era de 280. Nos oito anos do governo Lula havia 200 mil famílias acampadas no País. Atualmente, são 80 mil - 60 mil delas do MST.

Na sua avaliação, à acomodação promovida pelo Bolsa Família, se aliou a lentidão no processo da reforma agrária nos últimos anos, desestimulando o agricultor, além do fato de 2010 ter sido ano eleitoral, quando a sociedade discute eleição.

"Há uma situação de psicologia social, se as pessoas começam a se dar conta que a reforma está mais lenta, se perguntam: porque ocupar, se vai demorar?", observou Stédile, referindo-se à facilidade de fazer acampamento depois que o ex-presidente Lula prometeu fazer reforma agrária com uma canetada. Como nada foi feito, veio o desânimo.

Ao citar que em Pernambuco, por exemplo, não foi feito um só assentamento de terra no ano passado, ele questionou a existência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que "não funcionou nem em Pernambuco nem no Brasil".

"Transformaram o Incra em disputa de correntes partidárias", criticou. "O Incra virou essa casa de mãe Joana, se disputando carguinho para não fazer nada."

"Pelo amor de Deus, queremos que o Incra funcione", afirmou o líder, que confia que as mobilizações previstas pelo movimento em todo o País no Abril Vermelho ajudem a acelerar a reforma agrária e mudanças no órgão. "Vamos ver se o governo Dilma acorda para substituir a direção do Incra", afirmou ao defender um Incra "técnico e eficiente". "Sem funcionar, os problemas só vão se agravando".




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