Sudene é o novo alvo do governo
Atual superintendente foi indicado pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA)
Responsável pela aprovação de financiamentos de aproximadamente R$ 1,5 bilhão por ano, a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) é o próximo alvo da troca de comando em autarquias do governo. Nesta sexta-feira, 27, o ministro Jorge Hage, da Controladoria-Geral da União (CGU), disse que a Sudene tem um “histórico de problemas”, apesar do esvaziamento político a que foi submetida desde a década passada.
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O mais recente relatório de auditoria da CGU aponta problemas no desempenho da autarquia. “A equipe de auditoria entende que não se justifica a baixa materialidade na execução das ações”, diz o relatório, de novembro de 2011. Afirma ainda que foram identificadas “fragilidades” nos contratos da autarquia, que fechou o ano de 2010 com 55 processos para a recuperação de dinheiro desviado “aguardando na fila de prioridades”.
O baixo desempenho da autarquia é apontado reservadamente pelo ministro da Integração, Fernando Bezerra Coelho, como argumento para trocar o comando da Sudene. Na terça-feira, nota do ministério reafirmou a intenção “renovar os quadros das empresas vinculadas à pasta”.
Embora a mudança tenha como justificativa “aperfeiçoar práticas de gestão”, há também um objetivo político. O atual superintendente da Sudene, Paulo Fontana, foi indicado pelo ex-ministro da Integração Geddel Vieira Lima, do PMDB.
Diferentemente do líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), que desafiou o Planalto para tentar manter seu afilhado Elias Fernandes na direção-geral do Departamento de Obras Contra as Secas (Dnocs), demitido anteontem, Geddel avisou que não reagirá: “Fico até feliz ao ver que nomes que eu indiquei continuam no cargo quase dois anos depois de eu deixar o ministério. No que diz respeito a mim não tem turbulência nenhuma. Podem trocar. Como a estrutura política mudou no ministério, que mudem tudo”, reagiu.
O auditor-chefe da Sudene, Paulo Campêlo, diz que a escassez de pessoal e o atraso na liberação de dinheiro por parte do ministério para a superintendência são responsáveis por problemas na autarquia. “É como ter de subir em poucos segundos 13 andares de um prédio sem elevador.”
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