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Tarso admite descontrole de grampos telefônicos no País

Estamos chegando a um ponto em que falamos no telefone com a presunção de que alguém escuta, diz ministro

24 de julho de 2008 | 19h 24
Alexandre Rodrigues, de O Estado de S. Paulo

O ministro da Justiça, Tarso Genro, admitiu nesta quinta-feira, 24, que há no País um descontrole em relação a grampos telefônicos feitos clandestinamente. "Nós estamos chegando num ponto em que temos que nos acostumar ao seguinte: falar no telefone com a presunção de que alguém está escutando", disse. O ministro, no entanto, rebateu a idéia de que esteja em curso a formação de um Estado policial no Brasil.

 

Tarso também afirmou que a proposta do governo de alteração da legislação sobre grampos telefônicos trata, por exemplo, da proteção de informações de escutas relacionadas com a intimidade do investigado. O ministro participou de um ato público na seção fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ).

 

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Referindo-se ao que chamou de "metáfora das algemas", defendeu que o debate não deve se concentrar no uso do artifício, que considera instrumento útil para a segurança do agente e do próprio preso, mas na exposição dos investigados que pode levar a uma "punição antecipada".

 

O ministro da Justiça disse ainda que a correção de desvios de conduta da PF durante operações não impedirá a instituição de ampliar o combate à corrupção e à impunidade. Tarso reconheceu que excessos têm se repetido na exposição de presos em operações como a Satiagraha, mas defendeu que as mudanças que protejam investigados atinjam todas as classes sociais, em vez de reforçar privilégios.




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