Tradição dos subúrbios, bate-bola se renova no Carnaval do Rio
Tradição representa o carnaval rebelde dos jovens longe da Marquês de Sapucaí.

O carioca André Esteves, de 39 anos, ainda se lembra do medo que sentia quando homens mascarados e batendo bolas de borracha no chão chegavam à rua onde passou a infância, em Bangu, zona oeste do Rio.
"Era uma mistura de pavor e adoração", dizia o advogado, enquanto dava os últimos retoques nas sapatilhas e sombrinhas de um conjunto de cerca de 30 trajes de Carnaval guardados em um dos quartos de sua casa.
Os desfiles dos mascarados pelas ruas do bairro tanto impressionaram Esteves que, assim que virou adolescente, resolveu se juntar a eles.
Foi assim que ele se tornou um bate-bola, nome pelo qual são conhecidos os centenas de foliões que tomam os subúrbios do Rio durante o Carnaval, assustando e divertindo crianças e adultos com uma algazarra de gritos, fogos de artifício e o som de bolas se chocando contra o asfalto.
Parte de uma tradição carnavalesca que já dura décadas nas zonas norte e oeste do Rio, os bate-bolas ou clóvis (como também são conhecidos) vêm passando por uma renovação nos últimos anos, com a proliferação de "turmas" por diversos bairros e a inserção de ritmos como o funk para embalar a brincadeira.
Renovação
"Antigamente só havia uma turma por bairro. Hoje, um grupo esbarra no outro durante o Carnaval", diz Esteves, um dos fundadores da turma Enigma, grupo de bate-bolas que desde 2008 anima o Carnaval em Marechal Hermes e outros bairros e cidades da região.
O Enigma sairá às ruas neste sábado com um grupo de 37 pessoas, incluindo sete crianças. A brincadeira começa às 21h30 e se repete todos os dias, até terça-feira, ao som de sambas e funk. Os foliões usam ainda um ônibus fretado para levar a festa para outros bairros, como Padre Miguel e Rocha Miranda.
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