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Vantagem folgada faz petista assumir risco de apanhar de todos

Análise de Marcelo de Moraes

09 de setembro de 2010 | 1h 25
Marcelo de Moraes, de O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - Previamente avisados que a petista Dilma Rousseff não participaria do debate Estadão/Gazeta, os demais candidatos cumpriram à risca sua estratégia para o evento. Bateram à vontade na líder das pesquisas de intenção de voto.

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Com chances reais de se eleger já no primeiro turno das eleições, Dilma fez uma opção que já se tornou hábito para candidatos que abrem muita vantagem sobre seus adversários. Preferiu apostar que deixar sem resposta as críticas desferidas por José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) teria menor impacto sobre sua campanha do que a possibilidade de cometer algum deslize durante o confronto de ideias com os oponentes.

A tática pode até funcionar. Mesmo porque a coordenação de sua campanha garante que a petista vai comparecer a outros debates. Nessa visão, Dilma teria tanta frente que poderia até perder alguma gordura eleitoral por conta da falta e ainda ser eleita presidente no primeiro turno.

O problema é que a ausência abre a possibilidade para que o eleitor fique com a impressão que pode haver perguntas sem respostas convincentes da candidata governista. E justamente num período em que ela tem sido associada pela oposição à quebra de sigilos fiscais de pessoas ligadas ao PSDB, além de Verônica Serra, filha do candidato tucano.

Na verdade, Dilma sabia que o assunto seria explorado pelos outros candidatos. Mais: sabia que precisaria explicar a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no seu horário de propaganda eleitoral, assumindo o papel de escudo de sua campanha, abandonando a figura institucional que o cargo lhe confere.




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