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Viana é o mais cotado para lugar de Marina; Minc nega convite

Ex-governador do AC encontrou Lula nesta quarta e presidente pode oficializar o petista no Meio Ambiente

14 de maio de 2008 | 8h 22
ROSANA DE CASSIA - Agencia Estado

O ex-governador do Acre, Jorge Viana, se encontrou na manhã desta quarta-feira, 14, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve oficializar o petista para o Ministério do Meio Ambiente, no lugar de Marina Silva, que pediu demissão do cargo na última terça. Viana e Lula teriam conversado por telefone, já na noite na última terça.   Amigo e interlocutor freqüente de Lula, Viana já foi cotado para a articulação política do governo e é presidente da fábrica de helicópteros Helibrás. O Assessor Especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, afirmou nesta quarta que o novo ministro do Meio Ambiente já foi escolhido, mas ainda não há anúncio sobre a decisão de Lula.   Veja Também: Fórum: opine sobre a atuação da ministra no cargo  Do seringal ao ministério: a trajetória de Marina  Veja galeria de fotos da ministra no governo Íntegra da carta de demissão de Marina Silva Furioso, Lula diz que Marina foi 'espetaculosa' Nomeação de Mangabeira teria sido a gota d'água Mangabeira nega divergência com Marina Silva Antes de sair, Marina fez duras críticas aos biocombustíveis Veja os ministros que deixaram o governo Lula  Especial: Amazônia - Grandes reportagens    "Jorge Viana também foi sondado por setores do governo, é um nome respeitável, grande autoridade na área do meio ambiente, mas seguramente saberá entender este momento e tratará dessa questão de maneira restrita e reservada", afirmou o irmão do ex-governador, o senador Tião Viana (PT-AC), em entrevista à TV Globo, depois da visita à ex-ministra, na noite da última terça.    O secretário do Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc, o primeiro a ser cogitado para o cargo, negou que tenha sido procurado pelo Palácio do Planalto, embora o governo do Rio tenha confirmado anteriormente o convite. "Eu jurei de pés juntos que não iria para Brasília", disse Minc, relatando o teor de uma conversa que mantivera com o governador do Rio, Sérgio Cabral, na última terça, quando já embarcava em um vôo para Paris, onde está desde a manhã desta quarta-feira.   Depois de mais de 5 anos acumulando desafetos dentro do governo e prestígio fora dele, a senadora Marina Silva (PT-AC) se demitiu na última terça-feira do cargo. O presidente Lula ficou irritado com a forma como a ministra saiu, que considerou "espalhafatosa". O relacionamento de Marina na Esplanada só fez piorar nos últimos anos. Ela teve enfrentamentos com os ministros Dilma Rousseff, Reinhold Stephanes e Mangabeira Unger, com o ex-ministro Silas Rondeau e também com Lula.    Minc disse ainda que conhecia as pressões exercidas sobre a ministra e que havia suspeitado que o clima no governo não era bom quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compareceu à cerimônia de abertura da 3ª Conferência Nacional de Meio Ambiente. "Sou ligadíssimo à Marina. Temos uma história comum desde os tempos do Chico Mendes. Eu a conheci quando ainda era uma guria. Nem vereadora era", justificou, demonstrando solidariedade e reiterando sua disposição de não assumir do cargo.   Demissão   Com a ministra saem dois auxiliares de sua absoluta confiança: Basileu Aparecido, que acumula as funções de chefe de gabinete de Marina e presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e João Paulo Capobianco, secretário-executivo do Meio Ambiente e presidente do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade.

Oficialmente, a assessoria de Marina informou que a saída ocorreu por causa de uma série de desgastes provocados por ações do governo com as quais não concordava e uma seqüência de insatisfações com as atitudes do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas o que pode ser qualificado como "gota d'água" foi, de fato, a escolha de Mangabeira Unger para a chefia do conselho gestor do Plano Amazônia Sustentável.   Trajetória de Marina   Marina tem uma trajetória muito parecida com a de Lula. Nascida em 1958, na "colocação" (espaço explorado por uma família dentro do território do seringal) Breu Velho, no Seringal Bagaço, a 70 quilômetros de Rio Branco, capital do Acre, trabalhou como empregada doméstica e alfabetizou-se pelo antigo Mobral. Após fazer o supletivo, aos 26 anos formou-se em História pela Universidade Federal do Acre. Em 1985, ela filiou-se ao PT e passou a participar das Comunidades Eclesiais de Base, de movimentos de bairro e do movimento dos seringueiros.   Em 1984, foi fundadora da CUT no Acre, que teve Chico Mendes como seu primeiro coordenador, com Marina atuando como vice-coordenadora. Nas eleições municipais de 88 foi a vereadora mais votada em Rio Branco e conquistou a única vaga de partidos de esquerda na Câmara Municipal. Em 1990 candidatou-se a deputada estadual e foi novamente a mais votada. Marina Silva foi eleita pela primeira vez para o Senado em 1994. Na época, aos 36 anos, foi a senadora mais jovem da história da República. Em 2002 foi reeleita com uma votação quase três vezes superior à anterior.   (com João Domingos, Marcelo de Moraes, Tânia Monteiro e Andrei Netto, de O Estado de S. Paulo)   Texto ampliado às 12h12   




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