Virgílio apresenta projeto para cortar cargos comissionados
Líder do PSDB no Senado quer extinguir metade dos 3 mil cargos, com salários de até R$ 9,7 mil por mês
Aproveitando a onda de indignação da sociedade causada pela revelação de que o Senado tinha 181 diretores, o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), apresenta esta semana um projeto de resolução para atacar outro foco de farra com o dinheiro público. Ele quer cortar em 50% os 3 mil cargos comissionados da Casa.
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Com salários que variam de R$ 9,7 mil a R$ 1,2 mil, esses funcionários não passam pela triagem do concurso público. O único critério exigido é que tenham o aval do senador ou do diretor responsável pelo órgão em que vai atuar. Só na Diretoria-Geral do Senado, por exemplo, há 124 vagas paras esses cargos ditos "de confiança". Em outra frente, o primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI) promete anunciar a extinção de mais diretorias esta semana.
Pelo menos até o mês passado, estava entre os comissionados a primeira-dama de Sergipe, Eliane Aquino, contratada pelo senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), aliado de seu marido, o governador Marcelo Déda. Também estava na lista Alejandra Bujones Kubitschek, neta mais nova do ex-presidente Juscelino Kubitschek, que lá chegou em 2006 quando o terceiro-secretário era seu cunhado, o ex-senador Paulo Octávio (DEM-DF).
A liberalidade resulta muitas vezes na nomeação de aliados políticos que não necessariamente têm qualificação para o posto. Há também uma boa parcela de "fantasmas", como são chamados os que recebem salário sem trabalhar. "O que se busca é moralizar o Senado, economizar dinheiro público e aumentar a eficiência da Casa", afirma Virgílio.
Segundo ele, o PSDB apoia "totalmente" a proposta. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) apoia o corte de 50% das vagas, mas acredita que a redução poderá ser ainda mais forte, dependendo das conclusões a que chegarem os pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV), contratados pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para fazer a reestruturação administrativa da Casa. "Temos de nos livrar de uma vez por toda com o desperdício de dinheiro público e isso ocorre cada vez que se nomeia um fantasma ou quem quer que seja que não presta serviço à sociedade", alegou Dias.
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