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18 de janeiro de 2013 | 15h 57

Entraves burocráticos, falta de vontade política, incapacidade dos municípios e interesses econômicos ainda são obstáculos para que o Brasil desenvolva sistemas eficazes de prevenção a desastres naturais e consiga evitar assim tragédias como as que costumam atingir os Estados das regiões Sul e Sudeste durante a temporada de chuvas.

Na quinta-feira, uma forte tempestade atingiu a região metropolitana do Rio de Janeiro, causando deslizamentos de terra e alagamentos. Em Niteroi, uma adolescente morreu e duas crianças ficaram feridas. Horas antes, uma criança havia morrido em um deslizamento em Mendes, no interior do Rio. Há duas semanas, as chuvas já haviam causado mortes e destruição em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

De acordo com analistas ouvidos pela BBC Brasil, ainda prevalece no país uma lógica de que "remediar é melhor que prevenir" que, aliada a políticas habitacionais e de ocupação do solo inadequadas, torna desastres como deslizamentos de terra e enchentes um problema "crônico", como o das secas que atingem regularmente a região Nordeste.

"Para os políticos, aquele ditado 'é melhor prevenir que remediar' é sempre recitado às avessas", diz o economista Gil Castello Branco, secretário-geral da ONG Contas Abertas, que faz um trabalho de monitoramento de gastos públicos. "Quando as tragédias acontecem, nós já conhecemos o ritual: as autoridades sobrevoam as áreas atingidas de helicóptero, prometem solidariedade às famílias atingidas, declaram estado de emergência e as verbas saem por medida provisória".

Segundo o economista, esta lógica faz com que a predominância de investimentos na resposta a desastres, e não em prevenção, seja uma espécie de tradição no país. De acordo com dados levantados pelo Contas Abertas, entre 2000 e 2011, o Ministério da Integração aplicou R$ 7,3 bilhões na rubrica "Respostas aos Desastres e Reconstrução" e R$ 697,8 milhões em "Prevenção e Preparação para Desastres", por exemplo. De acordo com o ministério, esses programas não englobam toda a política de enfrentamento a desastres.

Na avaliação de Castello Branco, um dos motivos para esta inversão seria essencialmente eleitoral. "Politicamente (a prevenção) não dá tantos votos ou reconhecimento político".

"Muitas vezes prevenir significa chegar a uma área de encosta, em um dia de sol, e comunicar a todos os moradores que eles vão ser remanejados para outro local, às vezes distante de onde eles já estão morando. Esta tarefa é mais para os estadistas do que para os políticos, que veem só as próximas eleições", diz o economista.

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