JB Neto/AE
JB Neto/AE

Discutir política na sala de aula ainda é um tabu

‘Estado’ convida grupo de estudantes que votarão pela primeira vez para assistir ao debate

Isadora Peron, de O Estado de S.Paulo

18 Setembro 2012 | 01h03

Eles são jovens, estudantes, falam gírias, riem do modo como o mediador do debate pronuncia a palavra YouTube ("iutchube"), mas na hora de comentar assuntos como transporte, financiamento público de campanha e apadrinhamento político, o tom é sério.

A convite do Estado, Henrique Succi Lopes e Fernanda Dutra, ambos de 17 anos, e Davi Lemos de Lemos da Silva, Beatriz Pozzani de Souza e Álvaro Albertini, os três de 16 anos, assistiram ao debate. Cada um estuda em colégios de diferentes zonas da cidade. Do grupo, apenas Fernanda não votará nas eleições de outubro, porque não conseguiu tirar o título de eleitor a tempo. Ela diz, porém, que acompanha de perto a campanha.

Apesar do interesse dos estudantes, eles dizem que, na sala de aula, discutir política é um tabu. Segundo eles, o debate é feito no corredor, entre colegas, mas a maioria deles não está tão interessada assim. "Meus amigos dizem que vão votar em quem está em primeiro lugar para que não haja segundo turno", comentou Davi. "É preciso discutir política para formar um ser consciente", afirmou Henrique.

A primeira pergunta do debate - em que o mediador pediu aos candidatos que explicassem o momento vivido por Celso Russomanno (PRB), líder nas pesquisas - surpreendeu. "Saiu arregaçando." E todos concordaram: "Ninguém respondeu".

"Parece que os candidatos discutem sempre os mesmos temas: saúde, segurança e transportes. Eles esquecem dos secundários, que são igualmente importantes", comentou Beatriz.

Quando a pergunta sobre financiamento de campanha foi sorteada para o petista Fernando Haddad responder, todos foram unânimes: "Era a pessoa certa". O grupo disse não concordar com a proposta de financiamento público.

Os jovens mostraram que têm memória política, apesar da pouca idade. "O Russomanno fala parecido com o deputado Paulo Maluf. Ele fica com esse papo de que não tem padrinho político, mas ele ficou por anos ao lado do Maluf", comentou Beatriz. Nenhum deles disse aprovar a aliança de Maluf com Haddad.

O sentimento do grupo é que os jovens buscam mudança. "Mudar o partido que está no poder por muito tempo é fundamental", disse Henrique. Álvaro, o mais quietinho, resolveu, ao final, elencar os pontos fortes do debate: a palavra "iutchube", os erros de concordância de Haddad e a pergunta sobre transportes, que caiu para Levy Fidelix (PRTB), o pai do aerotrem. Os pontos fracos? Para eles, os candidatos repetiram muitos os temas e não responderam diretamente à maioria das perguntas.

Mais conteúdo sobre:
debate-sp

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.