Em comício, Lula pede que militância não ataque partidos aliados

Em São Bernardo do Campo, ex-presidente disse que não falaria como antes, gritando, porque ainda precisa tomar cuidado com a garganta

23 de setembro de 2012 | 7h 48

Ricardo Brandt

 O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou na noite deste sábado, 22, em São Bernardo do Campo o primeiro dos quatro comícios que fará até segunda-feira em redutos petistas na Grande São Paulo. Ao lado de seu afilhado político, o prefeito e candidato a reeleição Luiz Marinho (PT), Lula evitou nacionalizar o discurso e cobrou a militância local para que não faça ataques a partidos que são aliados na cidade e rivais do PT nacionalmente - o DEM integra as 17 legendas da base de apoio de Marinho. Ele ainda defendeu que "o bom momento que vive o país deve ser usado para eleger mais companheiros" nessas eleições de 2012.

Lula em comício do candidato à reeleição em São Bernardo do Campo, Luiz Marinho - JF Diorio/AE
JF Diorio/AE
Lula em comício do candidato à reeleição em São Bernardo do Campo, Luiz Marinho

"É importante a gente compreender que muitas vezes a gente fica vendo partido nacionalmente brigar com partido que aqui na cidade apoia o nosso candidato a prefeito e a gente fica e incomodado. Não precisa estar incomodado não. Porque aliança municipal a gente faz ela em função da realidade específica de cada cidade", afirmou o ex-presidente ´para cerca de 3 mil pessoas. Segundo os organizadores do evento havia 8 mil pessoas.

"O prefeito tem que fazer as alianças necessárias para que ele possa ter um conjunto de partidos políticos , um conjunto de candidatos a vereadores que possam garantir a vitória", completou Lula. "Por isso quero agradecer os partidos que estão apoiando o Marinho, independentemente da divergência no âmbito estadual e federal."

Ao final do discurso, ele voltou a mandar um recado sem citar nomes para que se ponha fim a eventuais divergências entre petistas e democratas. "Quem está apoiando o Marinho é aliado e quem não está é adversário", afirmou Lula.

Bom momento

O ex-presidente contou no discurso que recebeu da presidente Dilma Rousseff os resultados do Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do IBGE, deste ano e afirmou que os número positivos eram motivo de orgulho e felicidade porque melhoraram as condições de vida do povo brasileiro.

"A tendência é melhorar ainda mais, porque o Brasil aprendeu a gostar de si. O Brasil aprendeu a eleger gente que gosta de gente, aprendeu a eleger pela primeira vez uma mulher presidente da república", disse Lula.

Segundo o ex-presidente - que faz neste domingo mais dois comícios, em Santo André, para o candidato Carlos Grana (PT), e em Diadema, para a reeleição do prefeito Mário Reali (PT)-, é preciso aproveitar o bom momento que vive o país. "Vamos ter que aproveitar o bom momento para eleger mais companheiros nossos." Lula estará ainda na segunda-feira em Mauá, apoiando Donisete Braga (PT), e disse que foi convidado para ir a Guarulhos e a Osasco.

"Vou tentar falar menos e cobrir o maior número de cidades possível para pedir voto para as pessoas", afirmou Lula.

Sem mordomia

O ex-presidente abriu seu discurso avisando que não falaria como antes, gritando, porque ainda precisava tomar cuidado com a garganta - em referência ao câncer tratado que teve na faringe. E durante os 13 minutos de fala pediu água por duas vezes, arrancando risos de todos nas duas.

"Cade minha água? Eu tenho que tomar água toda hora porque a garganta seca. Antigamente, quando ia para a porta de fábrica eu tomava uma caninha de manhã, mas agora, aos 66 anos, eu tenho que tomar uma aguinha aqui", disse da primeira vez.

Na segunda vez, quando teve que pedir água, brincou: "Cadê minha água? Quando eu era presidente, tinha umas 50 pessoas querendo que eu bebesse água. Agora, nem a Marisa está querendo me dar água".





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