Foram três dias de palestras, oficinas de cozinha e conversas com hora marcada entre chefs e pequenos grupos de participantes do San Sebastián Gastronomika, congresso que terminou ontem no País Basco espanhol.
Houve a eleição do melhor sommelier da Espanha (Raúl Igual, que passou pelo elBulli e Zalacain e atualmente é o responsável pelos vinhos do Yain, em Aragão); o lançamento mundial da biografia de Ferran Adrià, escrita pelo jornalista americano Colman Andrews; e a apresentação de uma maquete de Nova York feita de chocolate pelo confeiteiro Cristian Escribà e sua mulher, a brasileira Patrícia Schmidt, especializada em minibolos.
Quem estava? Todos os espanhóis de peso, o italiano Massimo Bottura e uma delegação de chefs e restaurateurs de Nova York: Thomas Keller, Daniel Boulud, Wylie Dufresne, David Chang e Drew Nierporent, dono do Nobu.
Deu para notar algumas tendências. Os americanos estão fascinados pelo dashi, o caldo básico da cozinha japonesa, que cada chef prepara a seu modo. David Chang colocou bacon em seu dashi (contou que o prepara de várias maneiras no Momofuko) e o serviu com noodles e vegetais. David Bouley usou o caldo para preparar ouriço do mar. E Wylie Dufresne combinou o seu com peixe cozido.
Outra mania atual: a câmera de vídeo entrou na cozinha - e não apenas para mostrar receitas. Os chefs estão fazendo vídeos criativos, bem editados, divertidos e muitas vezes usando colegas de cozinha como figurantes.
Joan Roca mostrou em vídeo o gol de Messi, do Barcelona, no qual se inspirou para criar a sobremesa gol, que reproduz um gramado, a rede e a bola no prato. O italiano Massimo Bottura, da Osteria Francescana, em Módena, exibiu o trabalho de um artista plástico italiano - ele está preparando um documentário sobre as receitas típicas das cidades às margens do Pó. Vai exibi-lo no Madrid Fusión, em janeiro. No fim de sua palestra, fez um apelo aos chefs do mundo todo: "Viajem de olhos e mente bem abertos, mas nunca esqueçam de onde vocês vêm".
Adrià trouxe o mesmo vídeo mostrado no festival madrilenho deste ano. Reflexivo, provocativo, o filme começa com uma lebre correndo no bosque e vai mostrando a preparação de todas as partes do animal na cozinha do elBulli. O filme mais divertido foi o de Andoni Luis Aduriz, que teve humor até para brincar com o incêndio que destruiu o Mugaritz no começo do ano.
Outro momento marcante do evento foi o início da palestra do americano Thomas Keller, do The French Laundry, no Vale do Napa, e do Per Se, em Nova York. O chef começou (sim, com um vídeo) mostrando seus fornecedores de ingredientes, a quem chama de parceiros. A produtora de manteiga que faz questão de criar as próprias vacas, dois dentistas que trocaram a profissão pelo cultivo de frutas e o produtor de caviar na Califórnia. Foi apresentando cada um e contando suas histórias. Falou de todos antes de preparar três delicadas obras de arte feitas com legumes e verduras compradas poucas horas antes no mercado de San Sebastián.
Veja também:
Diga yuzú, não yúzu
In natura, é raro. Mas você pode provar outras versões
Um gosto de Japão em forma de geleias e molhos
Um limãozinho entre a lima-da-pérsia e a mexerica
No outono, as ruas de Kyoto têm cheiro de yuzu
Leia Mais:
Um fettuccine sob medida para o papa
Festival de cozinha de Israel traz Moshe Basson e a cozinha 'bíblica'
Caça ao hambúrguer perfeito entra na reta final
A casa é nova, mas o sushiman é um velho conhecido na Liberdade
Batata-doce provocante
Roseane usa dólmã e é universitária
Enclave secreto
O dedo de Deus
Blog do Paladar