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Patrícia Ferraz

Um bom jantar no sul da Itália termina em licor caseiro de limão. Cada família tem sua receita, ou melhor, seus truques para preparar o limoncello, apesar de a base ser sempre a mesma: cascas de limão siciliano, álcool de cereais, água e açúcar.

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Sorrentinos, amalfitanos e capreses disputam a origem da bebida, mas o fato é que em todo o sul do País se usam limões, laranjas e mexericas para fazer licores perfumadíssimos.

Italiano nascido na pequena Taranto, na Puglia, o chef Guiseppe Gerundino trouxe para São Paulo a receita da nonna Rosa. "Ela colocava grãos de café na infusão para dar cremosidade", conta o dono da escola de cozinha Accademia Gastronomica, em Moema (tel. 5041-3277). Como a avó, ele adiciona folhas – 10 a 15 a cada litro de bebida – para intensificar o perfume. "Depois de quatro ou cinco dias é só misturar o xarope de água e açúcar com a infusão e engarrafar, mas com mais tempo ele fica melhor, eu espero 40 dias", conta.

Antes de engarrafar é preciso esterilizar a garrafa. Como não tem conservantes, o licor deve ser mantido no freezer e bebido em três ou quatro meses. Ah, se os copinhos estiverem gelados também, fica ainda melhor.

A TENTAÇÃO DE COMPRAR

Saí da escola de Giuseppe feliz com a simplicidade da receita e decidida a dar limoncello de Natal para vários amigos. Mas não foi tudo tão fácil. Para começar, precisei ligar em dezenas de farmácias de manipulação até achar uma que vendesse álcool de cereais (Formularium, tel. 3819-4490). Sem tempo de ir à Ceagesp, não consegui as folhas de limoeiro. Mas trabalhoso mesmo foi descascar. Tentei a faca: as indesejáveis partes brancas teimavam em grudar na casca. Arrisquei um fatiador a pilha, entortou no primeiro limão. Saí em busca de um descascador como o do Giuseppe, na rua Paula Souza. Custava R$ 113, desisti. Voltei para casa, peguei o fatiador manual e passei horas tirando lasquinhas amarelas da casca. Bem que deu vontade de correr à escola do Giuseppe para comprar o limoncello pronto.

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