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Em campo - O chef José Barattino e o agricultor DercÃlio Pupin planejam o resgate de ingredientes no canteiro da fazenda Pereiras, em Itatiba, interior de São Paulo
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Agachado num canteiro de alface ao lado do agricultor DercÃlio Pupin, o chef José Barattino se sente em casa. Está na fazenda Pereiras, sede da FamÃlia Orgânica, em Itatiba. Lá fica à vontade como se estivesse na cozinha do restaurante Emiliano.
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Barattino sempre lamentou a distância que separa o campo das cozinhas urbanas. Parecia mais lógico manter a proximidade com quem cultiva o que ele prepara. Por isso não lhe bastava comprar legumes e verduras orgânicas e biodinâmicas. Queria ir além, saber de onde vinha a serralha e descobrir como era cultivada.
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Durante vários anos o chef pensou em um projeto que acabasse com esse abismo, fosse sustentável e ajudasse a valorizar o pequeno produtor – bem ao estilo do que prega o movimento Slow Food.
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Veja também:
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Viagem em busca da roça esquecida
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Morador de um apartamento em São Paulo, Barattino saiu em busca de "um sÃtio para chamar de seu". Em vez disso, achou sÃtios e fazendas espalhados pelo Estado onde trabalham 700 famÃlias de pequenos produtores reunidos sob o nome de FamÃlia Orgânica, liderados por Pupin.
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Produtores orgânicos como Pupin e Matias Weier Tentor Vargas, proprietário da fazenda Pereiras, têm orgulho de exibir a terra fofa, cheia de microorganismos, de falar dos frutos que produzem e prová-los. Toda quinta a cooperativa entrega seus produtos em São Paulo. Basta entrar no site, "fazer a feira" até domingo e esperar a cesta de produtos fresquinhos em casa.
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Da roça ao restaurante
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A ideia de trabalhar em sintonia com o produtor começou a tomar forma quando Barattino conheceu Pupin. Depois desse encontro, ficou claro que era hora de deixar o dólmã na cozinha e enfiar o pé na lama.
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Desenvolveu um projeto com o hotel Emiliano, cujo restaurante chefia, para acompanhar a produção dos ingredientes que utiliza em seu cardápio e buscar a recuperação de vegetais nativos pouco conhecidos, como orelha-de-urso, beldroegra e almeirão-do-mato. No futuro, pretendem organizar uma feira de pequenos produtores e devolver o lixo orgânico da cozinha para a fazenda, em forma de adubo natural.
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Aos poucos, a distância foi diminuindo e a parceria, se estreitando. Barattino visita a fazenda Pereiras, passeia pelas hortas, conversa com os agricultores e troca informações. Entre canteiros orgânicos de couve-manteiga e vagem, Pupin fala sobre o caeté (ou lÃrio-do-brejo), que tem flor e raiz comestÃveis. "Aà está uma coisa que você precisa levar para testar", diz ele ao chef. E lá vai a raiz fibrosa, semelhante a um gengibre pálido, para a cozinha-laboratório de Barattino, o Emiliano.
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Inspirado no invernal cavolo nero, hortaliça italiana da famÃlia do repolho, cujas folhas são consumidas após terem sofrido uma leve geada, Barattino está testando a serralha: "As plantas que sofrem uma geada perdem um pouco das fibras. Estamos experimentando um congelamento controlado para quebrar as fibras de hortaliças mais duras".
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Empolgado com as possibilidade de trabalhar novos ingredientes, o chef está criando sem se preocupar em ter de percorrer um longo caminho até chegar a um prato acabado. "Esse é só o inÃcio de um longo perÃodo de testes e experiências. A ideia é sair do zero, trabalhar produtos, trocar informações até que as coisas estejam afinadas", diz.
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A convivência é recente, mas chef e produtor são enfáticos ao afirmar que a troca tem sido muito rica. Para ambas as partes.
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