Quando um chef finge que aquilo que faz no restaurante apoiado por seus cozinheiros pode ser reproduzido em casa, em geral a experiência termina em lágrimas do cozinheiro. Mas nos lançamentos recentes – de Mario Batali, Jean-Georges, Ferran Adrià e Heston Blumenthal– , os resultados são surpreendentes.
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Heston Blumenthal mostra a cozinha de sua casa, impecável, com as superfícies brancas e aparece sempre só. Heston Blumenthal at Home é menos um livro de culinária e mais um bom manual para os solitários aficionados da culinária. Não há necessidade de se ter um livro como esse para buscar receitas cotidianas. Os assados favoritos de Blumenthal e seus vinagretes pouco diferem dos de outros chefs (embora sua mania de usar uma pequena porção de óleo de oliva em amanteigados produza resultados deliciosos).
Entretanto, o livro oferece um insight do perfeccionismo inteligente, estimulante, muito útil para quem cozinha em casa e gosta de mexer com melado e gelo seco. (Também pode ser um excelente presente, se combinado com uma balança digital para cozinha: todas as medidas das receitas são apenas métricas).
Em Molto Batali o chef não perde tempo com introduções ou instruções. Pelo contrário, o leitor é levado diretamente para receitas bastante convincentes. O livro é organizado mês a mês, com receitas conforme a estação, em que são empregados ingredientes do dia a dia dos americanos, mais do que os italianos habitualmente preferidos por Batali. Em agosto, milho e erva-doce assados com tomates; em janeiro, sopa de abóbora com mistura de açúcar mascavo e pasta de anchova.
Sei que todos andamos muito preocupados com a carga de trabalho de Jean-Georges Vongerichten, que dirige restaurantes em 14 países. Mas podemos nos tranquilizar. No novo livro, ele conta que quando completou 50 anos, em 2006, decidiu que tinha direito de descanso aos fins de semana. Deixaria de ser escravo da cozinha nas noites de sábado, como foi por 16 anos.
Agora Vongerichten passa seus fins de semana cozinhando para a família em Waccabuc, Nova York, um lugar mágico onde as crianças comem torradas com caranguejo e maionese com molho sriracha tailandês, e escalopes de vitela com lavanda.
Vongerichten cita sua infância, de filho de um negociante de carvão do interior no noroeste da França, como a principal influência na sua culinária doméstica, em que ingredientes asiáticos, como o kunbu, também circulam livremente.
Embora poucos americanos possam reconhecer suas receitas como caseiras, sou grata como leitora e como cozinheira por ele estar fazendo experiências na sua cozinha, testando os limites daquilo que todos nós podemos fazer – e comer – em casa. Sem esse empurrão para novos territórios do paladar, nós ainda viveríamos num mundo no qual um simples iogurte e coentro fresco eram considerados exotismo.

Home Cooking With Jean-Georges
Editora: Clarkson Potter
(256 págs., US$ 20, Amazon)

Heston Blumenthal at Home
Editora: Bloomsbury, USA
(408 págs., US$ 37,80, Amazon)

Molto Batali
Editora: Ecco
(336 págs., US$ 14,99, Amazon)