Três meses atrás, Marco Suplicy recebeu uma amostra de 100g de um café de Coromandel, no Cerrado mineiro, mandada pelo tio, corretor de café em Santos.
Era uma bebida doce e extremamente frutada. "Tutti frutti", a reportagem do Paladar ouviu Marco dizendo no dia em que, coincidentemente, o dono do Suplicy estava provando a amostra da Fazenda Dois Irmãos. "Foi uma surpresa provar um café de uma região tão conhecida, como o Cerrado mineiro, com características diferentes dos grãos de lá, que têm notas achocolatadas."
Bourbon amarelo natural, os grãos moca vêm de um talhão de "50 e poucas sacas" – foram colhidos separadamente do restante da produção da fazenda pela primeira vez neste ano. "Se eu fosse eles (os donos da fazenda, Evandro e Hélio Sanchez), prepararia esse talhão para campeonato, porque emplacaria ótima colocação no Cup of Excellence", diz Marco.
Com acidez suave, notada principalmente no expresso, o café da Fazenda Dois Irmãos destaca-se pela doçura acentuada, aroma bem frutado e ausência de amargor no retrogosto.
Depois de testar três perfis, o mestre de torra da cafeteria, Tadeu Trajano Bellini, optou pela clara, "para extrair o máximo de acidez (naturalmente pequena) e uma finalização lenta para dar corpo à bebida".
O microlote, vendido em pacotes de 250g a R$ 24,75, também pode ser provado na cafeteria em expresso (R$ 4,30) ou na prensa francesa (R$ 9,90). Mas o melhor mesmo é dar uma choradinha e convencer o barista a preparar para você um coado (na Hario ou na Bunn). E se o dono da cafeteria estiver por perto, pode ser que você escute um "pelo-amor-de-deus-não-ponha-açúcar". Quer um conselho? Obedeça. Por que estragar o sabor de um café que já nasceu docinho?
Suplicy. Al. Lorena, 1.430, Jd. Paulista, 3083-0666