O primeiro passo, claro, é escolher uma pimenta. Vale ser criativo nas misturas, seguindo apenas uma regra básica: não coloque em um mesmo pote pimentas-de-cheiro doces ou ardidas, como a biquinho, com aquelas cujo perfume lembra o de um pimentão maduro, caso da malagueta. As bases mais comuns são azeite e vinagre, mas você pode usar até cachaça. "Se optar pelo azeite, o ardido vai ficar no azeite, se optar por vinagre, fica na pimenta", explica a nutricionista Neide Rigo, autora do blog Come-se e fã notória de conservas. Sabe aquela vontade que você sempre teve de esquecer que é pimenta, puxar uma do pote sem cerimônia e dar uma mordida generosa? Com a conserva de pimenta-de-cheiro doce do Maranhão dá para fazer isso. Esta pimenta pouco picante adora pescados e foi nossa eleita este ano ao posto de tórrido petisco pré-ceia.
O AROMA VAI TE TENTAR. RESISTA
Levei ao fogo a mistura de cachaça, vinagre, açúcar e sal. O cheiro que saÃa da panela era tão bom que, em vez de dar apenas um "susto" nas pimentas, deixei que cozinhassem. Esqueci do tempo. Acrescentei as sementes de mostarda e de coentro e também anis estrelado – sugestão de um sagaz vendedor do Mercado da Lapa. "Vai deixar a conserva mais doce, mas de maneira sutil", ele previu e acertou. Bom, daà que um minuto a mais foi o suficiente para que as pimentas ficassem menos crocantes. Portanto, quando for fazer a receita, não sucumba ao aroma sedutor: deixe apenas um minuto na panela. Mesmo mais amolecida, ficou deliciosa. Resultado: o pote ainda está cheio e já estou pensando em qual será minha próxima. Será que tenho alma conservadora?
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