Sommelier da vida real - Depois de trabalhar com Jamie Oliver, o australiano Matt Skinner lança agora seu segundo livro em português. Foto: Divulgação
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Matt Skinner chegou aos vinhos por acaso, depois de vagar por subempregos na sua Austrália natal. A epifania aconteceu quando era balconista de uma loja de vinhos. O dono o estimulou a estudar com seriedade. Ouviu. Migrou para a Inglaterra e acabou sommelier do restaurante de Jamie Oliver. Dali à fama televisiva e o primeiro livro.
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Agora sai em português o segundo, Como Escolher, Comprar e Degustar Vinhos (Larousse do Brasil, R$ 59,90). O livro é ótimo, mesmo com o preconceito que o cara muito jovem da foto possa despertar. É escrito para gente real que compra uma garrafa para beber de verdade.
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Skinner publica também um guia anual The Juice (O Suco), que na última edição sofreu crÃticas do decano jornalista neozelandês Michael Cooper. Ele não se abalou, foi elegante: "Cooper é um grande wine writer e está só fazendo seu trabalho. Vou continuar fazendo meu guia, pensando no interesse dos leitores".
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Skinner mantém mesmo os pés no chão e as taças na mesa, como mostra a entrevista que deu ao Paladar, de sua casa na Austrália, onde vive hoje.
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Sua geração tem interesse em vinhos ou a cerveja e os destilados vão dominar o mundo?
É sempre complicado para a indústria do vinho competir com os dólares em marketing gastos pelas outras bebidas, mas prefiro pensar que as pessoas da minha idade gostam cada vez mais de vinhos. Afinal, é uma bebida artesanal feita há cerca de 10 mil anos. Na maioria dos casos, vinho não é um produto bolado por uma equipe de propaganda numa salinha apertada...
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Você vai ser o novo Parker?
Tenho certeza de que a crÃtica sempre terá um papel, principalmente os crÃticos com boa reputação, mas não estou seguro de que continuarão a ter tanta influência sobre as próximas gerações. Preços e pontuações à parte, acho que as redes sociais provaram ser um instrumento muito forte na divulgação do vinho. E não tenho nenhuma aspiração a me tornar o Parker da minha geração.
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Qual suas piores e melhores harmonizações, como sommelier?
A melhor, que ainda é minha favorita, foi simplesmente champanhe com fish&chips na praia com minha mulher. Agora, meu maior desapontamento foi ter colocado um de meus vinhos australianos favoritos, o Chardonnay da Giaconda, como companhia para um prato de frango que Jamie cozinhara para Robert De Niro. É meu ator preferido. Caprichei na harmonização para ver a expressão de alegria no rosto dele. Mas antes de provar, ele me chamou e pediu um vodca-martÃni. Fiquei arrasado.
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Tem um vinho de todo dia?
Como é verão aqui na Austrália, tenho bebido rosés e Rieslings. Amo o frescor dos Rieslings do Mosel de 2008, que são puros, raçudos e difÃceis de largar. Mas um rosé de Costières de Nimes, o Château Guyot 2008, anda bem popular aqui em casa.
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Quais os momentos em que o vinho é demasiado?
Os instantes não vinÃferos são poucos e raros. Mas depois de um dia longo de degustações, acontecem. Toda segunda meu assistente e eu provamos cerca de 120 amostras. Assim, as noites de segunda costumam ser reservadas para uma cerveja geladinha...
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Quando sua filha nasceu, você comprou garrafas para beber quando ela crescer?
Compro todo ano vinhos de alguns produtores do Piemonte, da Toscana e da Borgonha, além do Rhône e da Alemanha. Guardei alguns 2007 para abrir com ela no futuro. Tenho também um bebê de 4 meses e pretendo guardar uns 2009 para ele também.
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Já bebeu vinhos brasileiros?
Conheci uns poucos provenientes do Vale do São Francisco, mas sei que há muitos outros bem melhores que os que conheci. Adoraria visitar o Brasil para conhecer mais e prová-los nas regiões produtoras.