Filipe Araujo/AE
Filipe Araujo/AE

Uma 'fazenda' de 12 m² e 52 espécies 'úteis'

A blogueira Neide Rigo faz de um tudo: planta, cria abelhas, amassa pão de fermento natural, faz iogurte, caldo e até panela

Janaina Fidalgo,

16 Novembro 2011 | 19h01

Quando estão na época, carás-moela despencam sobre o muro lateral do sobrado sem portão na Lapa. No pé da escada, pimenteiros cheios de frutos e pés de mandacaru e araruta colorem a entrada.

Campainha da casa, a cachorra Dendê avisa a dona, Neide Rigo, da aproximação de um estranho na porta. É hora do almoço; a mesa está posta. Sobre a toalha florida, com bainha cosida pela própria Neide, estão vagens orelha-de-padre refogadas e uma salada com serralha, capiçoba, ora-pro-nóbis, capuchinha e tomatinhos. Tudo recém-colhido no quintal, um espaço com 12 m² de terra onde Neide contou, da última vez, 52 espécies "úteis" (comestíveis ou fitoterápicas), fora as "inúteis".

"Sempre tive necessidade de mexer com a terra. Fazia isso desde que morava no Crusp, nos anos 80", conta Neide Rigo, nutricionista de formação e roceira urbana assumida que compartilha suas experiências no blog Come-se (come-se.blogspot.com). "Plantava café e chuchu no campus, colhia matinhos comestíveis e fazia pão."

Pão de mercado, aliás, só entra na casa de Neide quando ela não está e a filha compra. A linhagem atual de fermento natural (levin) da nutricionista tem três anos e descende do da amiga e chef Mari Hirata. Com ele, prepara fornadas semanais para consumo da família e para presentear - é impossível sair da casa de Neide sem um pão numa mão, uma(s) muda(s) de alguma(s) planta(s) na outra e uma nova informação borbulhando na cabeça.

Feito em casa. A cria mais recente por lá são abelhas selvagens sem ferrão trazidas de Porto Alegre. No fim do ano, Neide vai extrair mel pela primeira vez das três caixas de abelhas jataí. Mel que poderá ser usado para adoçar o iogurte produzido diariamente pelo keffir de 7 anos - colônia de bactérias e leveduras que fermentam o leite.

O que mais Neide faz em casa? "De um tudo", como diz. Cultiva brotos de amendoim, lentilha, ervilha e feijão; aproveita ossos e carcaças para fazer caldo e as gorduras para cozinhar; transforma em leite a polpa do coco verde; faz macarrão, manteiga de amendoim, geleia e molho de pimenta - e até sabão. "Ah, esqueci de dizer que também faço panela de barro, viu?

"Não me animo em comprar o que sei fazer. Dá prazer ver que tenho essa capacidade. E tem essa coisa da procedência, me sinto mais segura assim."

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