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Além do mel, polinização de várias culturas

21 de outubro de 2009 | 2h 33
O Estado de S.Paulo

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A primeira colônia de abelhas lambe-olhos que veio parar nas mãos do criador Antonio Carlos de Faria foi trazida por um fazendeiro que temia que elas fossem mortas numa queimada que atingiu parte da sua propriedade. Desde então, Faria tem dedicado especial atenção a essa espécie. A explicação para o nome, segundo ele, é uma referência ao fato de que elas costumam "lamber" o suor dos olhos e de outras partes do corpo, em contato com o ser humano. "Elas foram descobertas na década de 1950 e só existiam em São Paulo", diz ele, que tem quatro colônias dessas abelhas.

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Abelhas nativas no quintal

No caso dessa espécie, a produção de mel é ínfima e serve muito mais para a alimentação da própria colônia, não ultrapassando 300 mililitros/ano. O manejo é extremamente difícil. "Elas são muito pequenas e frágeis." Faria afirma que, infelizmente, já tem muita gente achando que é fácil ganhar dinheiro com a criação das nativas. "Tem gente fazendo loucura, tirando colônias e vendendo a R$ 50."

NO MARANHÃO
Entre as inúmeras iniciativas que se espalham pelo Brasil com vistas à criação de abelhas nativas como fonte de renda e desenvolvimento social, o projeto Abelhas Nativas, da Associação Maranhense para a Conservação da Natureza (Amavida), é um dos mais ativos e interessantes. O projeto, segundo o seu coordenador, prof. Murilo Sérgio Drummond, da Universidade Federal do Maranhão, abrange o nordeste do Estado e atende a 6 municípios e 19 comunidades. "São produtores da agricultura familiar", diz.

O projeto conta ainda com a parceria do Instituto Abelhas Nativas e apoio da Fundação Banco do Brasil, Suzano Papel e Celulose, Alumar e do governo federal, entre outras instituições. No Estado, são contempladas 180 famílias e as espécies tiúba, uruçu, jandaia e tubi são as mais comuns.

"A apicultura é inexistente localmente e, considerando a grande diversidade de espécies e de colônias e a relação cultural que as comunidades têm com as abelhas nativas, essa atividade tem um papel preponderante no modo de vida local", resume o coordenador.

Um estudo realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus, aponta que as espécies de abelhas sem ferrão do Brasil estão desaparecendo num ritmo mais intenso do que as matas. O problema é que as florestas dependem das abelhas para continuar a existir. A exploração de madeira, segundo o estudo, é uma das maiores inimigas das abelhas brasileiras, pois as madeireiras buscam na floresta justamente as árvores maiores, em cujas cavidades vivem os enxames.

MAIS INFORMAÇÕES:
Amavida, tel. (0--98) 3246-4485